VI Cinema Mostra Aids
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A Mostra 2009

CINEMA MOSTRA AIDS, uma iniciativa do Grupo Pela Vidda/SP, chega à sua quinta edição em 2009, quando a ONG completa 20 anos de luta contra a aids. Originalmente, a idéia da mostra é despertar, por meio do cinema, a atenção e o interesse para um tema que não está mais na ordem do dia: o impacto da aids na sociedade e na vida das pessoas. Ainda que a doença tenha ganhado o mundo desde o registro do primeiro caso, nos Estados Unidos, no verão de 1981, Hollywood e a indústria do cinema demoraram alguns anos para levar às telas o drama da aids.

A televisão e os filmes ditos alternativos, americanos ou europeus, começaram a tratar o assunto antes, fosse porque a epidemia se encaixava no formato de dramas televisivos de finais de semana, ou porque a aids, diante de tantas perdas e envolvimentos pessoais de nomes ligados às artes, significava muito para o circuito independente da produção audiovisual.

Em 1985, quando o ator Rock Hudson morreu vítima da aids, os grandes estúdios não tinham qualquer pressa ou intenção de lidar com um tema tabu até então. Muitos cineastas também morreram de aids sem a chance de refletir publicamente sobre a doença e, menos ainda, de dramatizar a epidemia com a realização de um filme, por exemplo. É com Filadélfia, em 1993, que a aids arrebata platéias e Oscars com a atuação de Tom Hanks e a música de Bruce Springsteen. Mesmo assim, o cinema não se atrevia a mostrar Hanks e Antonio Banderas fazendo algo mais do que dançar juntos, bem discretamente.

Cinema Mostra Aids surgiu em 1997, mais de uma década depois da explosão da epidemia. Naquele momento, já existia a combinação de medicamentos mais potentes para tratar a aids. O cinema, no entanto, ainda disponibilizava poucos títulos remanescentes da época em que aids era, no imaginário coletivo, sinônimo de sofrimento e morte. Desde então muita coisa mudou. Se personagens homossexuais permanecem em evidência em produções mais recentes, eles já estão distantes do protagonista do pioneiro Aconteceu Comigo (An Early Frost), de 1985, que trazia Aidan Quinn como um deprimido advogado que vai para a casa de seus pais contar que é homossexual e portador do HIV; ou do sincero e comovente Meu Querido Companheiro (Longtime Companion), de 1990, que tão bem retratou as perdas impostas à comunidade gay.

Nesta edição de Cinema Mostra Aids, há um painel de época relacionado à identidade gay na primeira década do século 21 – a exemplo de Cristal (Meth), documentário que mostra o impacto do consumo da droga cristal no meio gay – assim como um olhar realista, às vezes jornalístico, sobre dramas humanos em lugares como a Àfrica ou a Índia, confirmando que a epidemia é um problema que atinge o mundo inteiro, independentemente do gênero, da orientação sexual e das diferenças vividas por uma sociedade global.

Documentários são destaque da mostra. É o caso do premiado Estamos Juntos (We Are Together), produção inglesa sobre um grupo de órfãos africanos que se apóiam na música para enfrentar a vida. Há ainda A Face Feminina da Aids (The Female Face of AIDS: Crisis in Malawi), sobre a triste realidade das mulheres infectadas no Malawi; Mais Poderoso que a a Aids (Greater: defeating aids), produção italiana que mostra o valioso trabalho de uma enfermeira em Uganda; Pequenos Pais (Their Brothers´Keepers: Orphaned by Aids), filme canadense feito no Zâmbia; Por Favor, Converse com as Crianças Sobre Aids (Please Talk to Kids About Aids), com a participação – e as questões – de duas crianças numa conferência internacional sobre a doença; entre outros filmes sobre situações relacionadas à epidemia.

Entre outras constatações, ampliadas na tela do cinema, é animador observar que muitos filmes não trazem mais o personagem apenas sensível e vítima do infortúnio, mas, ao contrátio, heróis que são ativistas e personagens reais, exemplo de Sexo Positivo (Sex Positive), filme americano sobre a luta do ativista gay revolucionáro Richard Berkowitz, que saiu na dianteira em defesa do sexo seguro. A juventude também está destacada na mostra de 2009, na discussão sobre machismo, pornografia e drogas, proposta em XPRess 8; na difícil decisão de fazer o teste em O Dia do Resultado; ou no protagonismo de realizar curtas metragem sobre a doença em 48 horas, como no filme que tem este nome.

A produção nacional está representada, entre outros, com O Caso Tiryó, que mostra a chegada da aids em uma aldeia índígena, com o drama Anjos do Sol e ainda com os documentários Um lugar Para Beijar e O Outro Lado, que desvendam o universo gay de São Paulo.

São alguns dos títulos que o Grupo Pela Vidda/SP tem o prazer de trazer a público com a intenção de manter em evidência uma luta que, longe de estar vencida, deve necessariamente estar inserida como uma realidade que precisa ser enfrentada, com informação e reflexões – à luz do cinema que seja – por todos nós.


Reconhecimento

Cinema Mostra Aids de 2009 conta com o apoio do Programa Estadual de DST/Aids, do Espaço Unibanco de Cinema, da Galeria Olido (Prefeitura de São Paulo) e de vários outros parceiros do Grupo Pela Vidda/SP. Na sua proposta itinerante, a mostra tem sido realizada em outras cidades, com o apoio de instituições locais e tem servido de inspiração para eventos similares, que, por reconhecimento e respeito, preservam a menção ao projeto original. Cinema Mostra Aids não seria possível sem a participação de inúmeros  colaboradores voluntários. A todos, nossos sinceros agradecimentos.

VI Cinema Mostra AIDS
de 12 a 19 de agosto de 2010 - Espaço Unibanco de Cinema
de 12 a 18 de agosto de 2010 - Cine Olido