VI CINEMA MOSTRA AIDS
ESPAÇO UNIBANCO DE CINEMA – ANEXO – SALA 4
De 12 a 19/08/2010 – R$ 5,00 (PREÇO ÚNICO OU ENTRADA GRATUITA COM APRESENTAÇÃO DE VALE-INGRESSO IMPRESSO ATRAVÉS DO SITE WWW.AIDS.ORG.BR) – 16 ANOS
Dia 12/08 (quinta-feira)
20h – ABERTURA: Exibição de filmes do acervo do Grupo PellaVidda/SP e em seguida haverá um coquetel para convidados.
Dia 13/08 (sexta-feira)
18h – FLORDELIS – BASTA UMA PALVRA PARA MUDAR
Direção: Marco Antonio Ferraz – Brasil – 2009 – 100 min. - DVD
Sinopse: A proposta de contar a história real de Flordelis, professora criada na favela carioca do Jacarezinho que passou a ajudar crianças e jovens a evitar a marginalidade, gerou um filme de gênero híbrido. Misto de documentário e ficção, o projeto buscou força na participação de estrelas como Reynaldo Giannechini, Déborah Secco, Letícia Spiller, Cauã Reymond, Fernanda Machado, Marcelo Antony, Letícia Sabatella, Isabel Fillardis, Sérgio Marone, entre outros. Enquanto a “mãe Flor” narra sua própria trajetória, que incluiu a fuga com sua prole adotada e a perseguição da polícia, os atores interpretam alguns dos personagens acolhidos por ela. Assim, em depoimentos em preto-e-branco e a frente de cenários que buscam a realidade da favela, surge o ex-líder de facção tornado advogado, o viciado em drogas regenerado, a jovem milionária que testemunhou e quase sucumbiu a um acerto de contas do tráfico, a prostituta que adquiriu o vírus HIV e histórias pessoais afins. Há ainda um segundo movimento ficcional sobre um caso de vingança entre gangues rivais. Muito do reconhecimento do trabalho voluntário da protagonista, casada com um pastor evangélico, partiu do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, e a ONG tocada por seus irmãos, em apoio também registrado no filme.
20h – PAPEL NÃO EMBRULHA BRASAS (Le Papier ne Pas Peut Envelopper la Braise)
Direção: Rithy Panh – França – 2006 – 86 min. - DVD
Sinopse: O cineasta cambojano acompanha o processo de exclusão social de uma prostituta, que sente-se impedida de voltar à cidade natal por medo de que os habitantes saibam o que ela fazia para sobreviver em Phnom Penh. Neste contexto, a decadência do corpo iguala-se a uma espécie de morte civil.
22h – FORA DE CONTROLE: AIDS NA AMÉRICA NEGRA (Oof Control: Aids in Black America)
Direção: Elizabeth Arledge – EUA – 2006 – 45 min. DVD
Sinopse: O respeitado jornalista americano Peter Jennings se dedicava ao especial de TV por ele idealizado, quando morreu de câncer em 2005. A equipe da rede ABC deu segmento ao projeto e manteve a passagem em que o âncora entrevista um grupo de negros soropositivos em Atlanta. A intenção aqui é revelar o quanto a população americana afro-descendente é mais suscetível ao vírus HIV, tese sustentada por estatísticas e depoimentos, além de reportagens em vários estados norte-americanos. Baseado numa pesquisa de 2003, o número de infectados pela doença no país contabilizava 1.039.000, sendo que desses a metade era de homens negros. A partir desse painel trágico, a investigação ouve representantes de entidades do governo, ONGs, penitenciárias – onde a distribuição de preservativos é proibida e, especialmente, comunidades religiosas e seus principais líderes, já que eles são vozes influentes no esclarecimento da Aids para os núcleos negros. Boas conversas informais, a exemplo do grupo de mulheres debatendo as razões dos homens serem reticentes a precauções básicas, complementam o formato tradicional de um programa para televisão.
GORETTI
Direção: Diana Igirimbabazi – França/Ruanda – 2005 – 13 min. – DVD
Sinopse: Com 16 anos, Goretti é a chefe da família. Seus pais morreram de Aids e desde então teve que interromper os estudos para cuidar sozinha de seus cinco irmãos.
Dia 14/08 (sábado)
18h – UNDER THE SKIN
Direção: Silvia Lourenço e Sabrina Greve – Brasil – 2010 - 7 min. – DVD
Sinopse: O curta-metragem integra o projeto de doze episódios Fucking Different São Paulo, co-produção Brasil e Alemanha que já está em sua quarta edição, e foi selecionado para a mostra paralela Panorama do Festival de Berlim 2010. Atriz premiada da nova geração, Silvia Lourenço (Quanto Dura o Amor?) uniu-se a outra jovem intérprete reconhecida, Sabrina Greve, para registrar o depoimento de rapaz que descobre ser possível conviver bem com o vírus HIV. Miguel Dias conta como se reconheceu homossexual ainda adolescente, sobre a primeira transa aos 19 anos, a dificuldade de se revelar aos pais e os vários parceiros. Mais complexa foi a notícia de ser soropositivo. No início com o rosto escondido por uma fotografia sombria, o protagonista vai sendo desvendado aos poucos até se mostrar, na medida em que assume uma condição mais tranqüila com a aids. Produção do alemão Kristian Petersen, a iniciativa com diversos diretores nasceu de oficinas no Festival Mix Brasil.
PEDRO (Pedro)
Direção: Nick Oceano – EUA – 2008 – 90 min. – DVD
Sinopse: A história verídica dramatizada com atores, o que se convencionou chamar de “docudrama”, dá conta aqui da trajetória do cubano Pedro Zamora (1972-1994), o primeiro homossexual soropositivo a participar de um reality show na televisão americana. Em 1994, a audiência da MTV acompanhou os desdobramentos de uma nova temporada do programa The Real World, encenado numa casa em São Francisco, no qual jovens conviviam no dia-a-dia. Por assumir sua doença, ainda em fase inicial, e discutir sobre ela abertamente no ar, Zamora (interpretado por Alex Loynaz) se tornou celebridade. A fama intensificou seu papel de ativista e educador em prol do esclarecimento da aids em todo o país. O filme mostra a trajetória do caçula de numerosa família em Cuba, a mudança para Miami e a descoberta da homossexualidade e do HIV pelo rapaz, apoiado especialmente pela irmã Mily (Justina Machado). Quando ainda integrava o time juvenil do programa e namorava Sean (DaJuan Johnson), com quem chegou a se casar, Zamora começou a apresentar os primeiros sintomas sérios provocados pelo vírus, situação que também ganhou cobertura da mídia. Um dos amigos mais próximos no projeto de TV, Judd Winick lançou em 2000 uma autobiografia em forma de quadrinhos sobre sua convivência com Zamora, material que inspirou os roteiristas.
20h – BAILÃO
Direção: Marcelo Caetano – Brasil – 2009 – 16 min.– 35mm
Sinopse: A questão da aids passa um tanto lateral ao tema principal deste documentário de curta-metragem do mineiro Marcelo Caetano. Mas a doença é, direta ou indiretamente, definidora na vida dos personagens, homossexuais maduros que assistiram ao surgimento do HIV e por causa dele perderam amigos, parceiros ou conhecidos. O ponto de partida do filme é o endereço noturno do título, uma tradicional boate no centro de São Paulo freqüentada em parte por gays mais velhos. No formato de uma memória poética, que alcança até os anos 40, alguns desses clientes fazem seus relatos de como exercitavam a orientação sexual num momento de tabu quanto a homossexualidade e permaneciam restritos a cinemas e outros poucos redutos da comunidade. O aparecimento da doença nos anos 80 é uma espécie de epílogo nessa trajetória e lamentada em contraponto à maior abertura do cenário gay atual.
CLARA E EU (Clara et Moi)
Direção: Arnaud Viard - França - 2004 - 81min. - DVD
Sinopse: Ator ainda em busca da grande chance na carreira, o solteiro trintão Antoine (Julien Boisselier) também procura a mulher de sua vida. Encontra-a no dia de seu aniversário e no vagão do metrô quando a bela Clara (Julie Gayet) se senta a sua frente. É amor à primeira vista e os dois passam a conviver, ele fazendo seus testes de interpretação, ela trabalhando como atendente na companhia de trens francesa. O baque na felicidade do casal vem com a revelação de um teste positivo de HIV para Clara. Antoine fica desnorteado e terá que decidir se dá sequência à relação. Conta para tanto com o apoio dos amigos e do pai, um médico (o veterano Michel Aumont) que desaprovou no passado sua escolha em atuar. Intérprete ele mesmo, o diretor Arnaud Viard coloca tintas autobiográficas na história que leva com delicadeza, a ponto de fazer seus personagens cantarem de felicidade, como faria quatro anos depois a dupla de diretores Olivier Ducastel e Jacques Martineau em Jeanne e o Rapaz dos Sonhos, filme exibido no IV Cinema Mostra Aids. A distância no tempo da produção não tira o valor da discussão do impacto da aids no relacionamento de um casal, que prossegue atual.
22h – TRANSLATINA (Translatina)
Direção: Felipe Degregori – Peru – 2009 – 93 min. – DVD
Sinopse: A aids neste painel documental é somente mais um problema a ser enfrentado pelas transexuais e travestis dos países latinos de língua espanhola, principais personagens do filme. Produzido a partir do Peru, cenário principal das entrevistas e discussões, a fita contempla ainda Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Uruguai, e mesmo o Brasil, representado pelo “portunhol” da personagem Liza Minelli. Assim como ela, vários entrevistados militam pela causa desses excluídos sociais em organizações não governamentais e associações de ajuda. Por vezes a luta coincide com a opção pessoal pela mudança de sexo, as transformações no corpo propiciadas pelo silicone e a prostituição determinada pela sobrevivência, inclusive no caso dos garotos de programa. Boa parte dos depoentes são soropositivos e relatam suas experiências pessoais, familiares e de descoberta da doença. Mas para além do HIV, enfrentam ainda a violência tanto por parte de clientes como da polícia, o preconceito em círculos sociais como a escola, e a dificuldade de conseguir um emprego convencional.
Dia 15/08 (Domingo)
18h – O AUTO DA CAMISINHA
Direção: Clebio Viriato Ribeiro – Brasil – 2009 – 45 min. – 35mm.
Sinopse: Com assumida proposta educativa, o média-metragem lança mão do formato de "auto", ou seja, de texto poético teatral, além de criatividade e bom-humor, para abordar a questão do uso da camisinha. O diretor cearense Clébio Viriato Ribeiro adaptou obra do conterrâneo José Mapurunga, já apresentada por ele no teatro, e somou ainda recursos de animação e fantasia. Na pequena cidade de Juatama, os moradores se preparam para receber na festa de São João o respeitado estudioso Quarto Bezorro (Carri Costa), especialista que irá decidir se o vilarejo se tornará ou não Patrimônio do Folclore Mundial. A programação do evento inclui a montagem de uma peça com os personagens Benedito (Brasilino Freitas) e Lionor (Nadia Aguiar), fogosa atriz e talento múltiplo local por quem logo o visitante se interessa. Em cena acontece o embate do casal, ele disposto a tudo para levá-la para cama e ela determinada a só ceder se o dito usar camisinha. Sem entender o que é o tal objeto, Benedito procura a costureira e seu padrinho (participação especial de Chico Anysio) para pedir a eles explicações, momentos em que a câmera abandona o pequeno palco e mistura a "realidade" do filme com o teatro. O protagonista ainda se verá dividido entre a tentação do diabo e os conselhos de seu anjo da guarda, este numa hilária participação de Gero Camilo.
PREGOS NA CABEÇA
Direção: Sol de Carvalho – Moçambique – 2004 – 32 min. – DVD
Sinopse: A partir de situações reais, o média-metragem moçambicano dramatiza a experiência de operários da construção civil na difícil convivência com a aids. O empregado Fumo (Elliot Alex) trabalha na obra de um prédio para sustentar mulher e filhos quando se descobre fraco e doente. No hospital, submetido a exames, não lhe esclarecem sobre sua real condição e ele, impossibilitado de ler o resultado por ser analfabeto, acredita tratar-se de malária. Sua debilidade aumenta e ele causa acidentes no canteiro, o que leva a revolta de colegas. Ao ser informado pela chefia que é soropositivo, Fumo acaba por ser demitido com falsas justificativas. O status institucional da produção, que é assinada pelo governo do país junto com entidades do setor de construção e ONGs, fica claro quando se discute o desrespeito às leis que amparam trabalhadores na situação de portadores do HIV. Também está em foco a precariedade e corrupção do serviço de saúde pública. É um interessante complemento a outros dois títulos do diretor Sol de Carvalho presentes no VI Cinema Mostra Aids, os longas-metragens As Teias da Aranha e O Jardim do Outro Homem.
20h – AS OFICINAS DE DEUS (Les Bureaux de Dieu)
Direção: Claire Simon – França – 2007 – 122 min. – DVD
Sinopse: Anne, Denise, Marta, Yasmine e Milena são conselheiras do Centro de Planejamento Familiar. Elas ouvem moças e mulheres que anseiam por liberdade sexual e procuram informações sobre métodos contraceptivos e aborto. Djamila quer tomar pílula anticoncepcional porque seu relacionamento com o namorado está ficando sério. A mãe de Zoé deu-lhe camisinhas, mas chamou a filha de prostituta. Nejma escondeu suas pílulas longe de casa porque a mãe vasculha sua bolsa. Hélène lamenta-se por ser tão fértil; Adeline desejava ter tido o bebê, assim como Margot. Maria Angela gostaria de estar grávida, enquanto Ana Maria havia optado por amor e liberdade. Neste escritório de Deus, elas convivem, riem e choram com todas essas mulheres que vêm, anonimamente, contar suas histórias de vida.
22h – UM GENOCÍDIO SILENCIOSO – UM BREVE OLHAR NO HIV/AIDS (A Silent Genocide – A Brief Insight into HIV/AIDS)
Direção: Tantra Zawardi e Oliver Covrett – EUA – 2009 – 10 min. – DVD
Sinopse: Poeta, escritora e performer americana, Tantra Zawadi é a anfitriã desse breve mas objetivo quadro de como a aids avança sobre a população de ascendência afro na região de Nova York. Ao mesmo tempo em que aproveita um evento público para entrevistar anônimos, ela conversa com especialistas sobre o tema, a exemplo da fundadora do Girl Child Network Worldwide, Betty Makoni, de atuação reconhecida. Das estatísticas, o curta-metragem apresenta condições e números impactantes, como o fato dos condados de Nassau e Sufolk, em Long Island, reunirem o maior número de infectados entre todos os 26 estados americanos. Nos EUA, embora os afro-americanos representassem apenas 13% da população, foram responsáveis por quase metade do número estimado dos diagnósticos de HIV/Aids em 2006. Para contrabalançar as duras revelações, o filme apresenta poesias de jovens autores. O trabalho de Zawadi e Oliver Covrett é um interessante complemento ao média-metragem Out of Control – Aids in Black America, que integra a programação.
SASA! UM FILME SOBRE MULHERES, VIOLÊNCIA E HIV/AIDS (Sasa! A film About Women, Violence and HIV/AIDS)
Direção: Chanda Chevannes – Canadá/Uganda/Tanzânia – 2007 – 30 min. – DVD
Sinopse: O subtítulo do documentário é “um filme sobre mulheres, violência e HIV/Aids”. Esse três pontos convergem na África subsariana de uma forma talvez pouco conhecida e divulgada, daí a urgência que traz a palavra “sasa”, “agora” no idioma suaíli. Na abertura, explica-se que as chamadas sessões de aconselhamento, quando maridos e mulheres se encontram com profissionais para resolver problemas conjugais, foram recriadas para o filme, já que são sempre confidenciais. Em questão está um círculo vicioso. As mulheres daquela região formada pela Tanzânia e Uganda representam uma população de 60% de infectados pelo HIV, a maioria pelo próprio marido, já que estes se negam a se proteger com camisinha ou mesmo a fazer o teste para saber se possuem ou não o vírus. Ao demonstrarem medo, desconfiança, ou simplesmente não aceitarem ter relações sexuais, elas acabam por sofrer violência física. O drama é relatado eminentemente por duas vítimas soropositivas, mas se ouvem também homens que justificam seus atos e religiosos próximos dos casais, muitas vezes os principais mediadores e vozes influentes nas comunidades.
Dia 16/08 (Segunda-feira)
18h – +o- O SEXO CONFUSO - CONTOS DA ERA AIDS (+o- I’II Sesso Confuso – Racontti di Mondi Nell’ Era Aids).
Direção: Andre Adriatico e Giulio Maria Corbelli – Itália – 2010 – 93 min. – DVD
Sinopse: Este painel documental das três décadas de convivência dos italianos com a aids começa, na verdade, nos anos 70. A dupla de diretores recua um pouco no histórico de surgimento da doença para apontar como aquele momento de liberdade sexual e intenso consumo de drogas abriu caminho para a disseminação, dez anos depois, do HIV entre a população jovem, especialmente os grupos homossexuais e viciados. Em depoimentos, soropositivos e especialistas, como cientistas, médicos, psiquiatras, além de ativistas e um padre, ajudam a amarrar o percurso da doença, de seu pico nos anos 80 ao aparecimento das primeiras medicações na década seguinte. Os anos 2000 surgem como o período de convivência e de novos e polêmicos procedimentos no cenário da moléstia, a exemplo do chamado “barebacking”, o sexo deliberado e sem proteção com infectados pelo HIV com o intuito de adquirir o vírus. Entre os depoentes está o ator Thomas Trabacchi, que interpretou um soropositivo estável graças aos medicamentos no filme Dias (2001), já exibido pelo Cinema Mostra Aids.
20h – NO LIMITE – SEIS CAPÍTULOS SOBRE A AIDS NA UCRÂNIA (Am Rade – Sechs Kapitel Über Aids in der Ukraine)
Direção: Karsten hein – Alemanha/Ucrânia – 2006 – 105 min. – DVD
Sinopse; Na ex-república soviética da Ucrânia, um por cento da população está infectado pelo vírus HIV, o que representa meio milhão de pessoas. O documentário de produção alemã contempla o leste do país, onde estão cidades como Donezk, e registra como principais vítimas os dependente de drogas, além de prostitutas e crianças. Uma tese de base social justifica boa parte do alastramento da doença, na medida em que o fim do bloco socialista gerou desemprego, miséria e principalmente deixou muitos cidadãos à deriva, sem esperança e, portanto, presas fáceis dos tóxicos pesados. Entre esses está a chamada “schirka”, espécie de ópio que pode ser preparado em casa, como é mostrado por dois viciados à câmera, enquanto os jovens se satisfazem com o tramadol. Une-se a esse quadro a ação das milícias, que atuam na distribuição das drogas, a corrupção política e o alto índice de alcoolismo da população, que apela à bebida para amenizar o rigoroso frio de inverno. Os capítulos do especial incluem uma investigação sobre as mulheres, a pobreza, a tuberculose e o papel dos centros religiosos ou de iniciativa voluntária na reabilitação.
22h – O INCÊNDIO (The Bushfire)
Direção: Stephen Makau – Quênia – 2001 - 60 min. – DVD
Sinopse: A produção caseira e os atores não-profissionais dão a medida da intenção do realizador. Ele quer falar nesta ficção de modo direto e didático aos jovens sobre a proliferação do HIV num país africano pobre e carente de informações como o Quênia. Sua protagonista é Nadi, garota que acaba de se formar no colégio com excelentes resultados e vista pelos pais como a esperança para tirá-los da miséria. Nadi sabe da responsabilidade e sonha em ser piloto. Uma possibilidade de começar a construir seu futuro aparece com a colega de escola Tabu. Jovem ativa sexualmente e com muitos namorados, ela se dá conta que pode ganhar dinheiro com o corpo e acaba contraindo o HIV do pastor local. Enquanto continua a manter relações sexuais indiscriminadamente, Tabu atrai Nadi para uma cilada com dois homens, fingindo se tratar apenas de um passeio. Em meio a ação dramática, o filme questiona a postura nem sempre séria de instituições como a religião e a medicina no trato com a aids. No elenco, Mercy Mwaniki, Diana Moreka, Kennedy Msumba e John Wanjohi.
Dia 17/08 (Terça-feira)
18h – ESTRADA PARA A ESPERANÇA (Road to Hope)
Direção: Leslie Marie Cannon – EUA – 2005 – 75 min. – DVD
Sinopse: A organização americana de combate ao aids/HIV Hope’s Voice foi criada em 2004 por Todd Murray com o objetivo de esclarecer os jovens sobre o tema. No ano seguinte, uma campanha nacional com o apoio de diversas entidades e empresas incluiu uma turnê por 22 universidades de todo o país. Este documentário acompanha os primeiros quatro jovens voluntários encarregados de contar suas experiências como soropositivos aos alunos, além de Murray, durante palestras. Ao mesmo tempo em que são vistos em ação, Amira Hikin, Duane Quintana, Lantz Smith e Marvelyn Brown dão depoimento à câmera sobre seus conflitos pessoais com a doença, a descoberta da homossexualidade, a difícil relação com a família e a convivência com o HIV. Nos encontros com os estudantes, em vez de conselhos ou cuidados práticos, os palestrantes preferem um relato informal e uma conversa franca sobre o que vivenciam, muitas vezes com retorno de perguntas da platéia.
20h – ESTOU COM AIDS
Direção: David Cardoso – Brasil – 1985 – 75 min. – 35mm
Sinopse: A importância do filme, mistura de ficção e documentário, está em ser o primeiro a enfocar o tema da aids no cinema brasileiro. E o ator, diretor e produtor David Cardoso, figura central da chamada pornochanchada, se lançou no projeto no início da epidemia, quando o cenário ainda nebuloso sobre a doença permitia especulações e equívocos. Ele faz da imprensa seu ponto de partida, a exemplo da notícia da morte de Rock Hudson no mesmo ano, primeira personalidade de Hollywood a sucumbir ao vírus. Ainda nesse momento, a descoberta da moléstia pela opinião pública muitas vezes coincidia com a revelação da homossexualidade da vítima, e impacto semelhante teria o caso do cantor Cazuza no Brasil, que morreria cinco anos depois. Uma das confusões geradas no período dizia respeito ao hemofílico, carimbado como gay. Direto no trato e sem subterfúgios, Cardoso entrevista artistas, políticos, esportistas e anônimos. Ao mesmo tempo, quadros dramáticos esboçam situações recorrentes, a exemplo do jovem do interior que chega à cidade e se torna garoto de programa, a empregada doméstica (Débora Muniz, musa pornô) que aceita o sexo grupal proposto pelo patrão, o milionário casado e suas escapadas, e mesmo uma criança soropositiva expulsa da escola. Sem esquecer sua origem, o diretor leva a discussão para um set da Boca do Lixo, onde durante uma filmagem a atriz principal se recusa a fazer sexo oral sem proteção.
OBS: Após a exibição do filme haverá um debate com a participação do diretor, David Cardoso, e do jornalista Christian Petermann.
Dia 18/08 (Quarta-feira)
18h – O JARDIM DO OUTRO HOMEM
Direção: Sol de Carvalho – Moçambique – 2006 – 80 min. – DVD
Sinopse: Primeira produção moçambicana em vinte anos e apresentada como a mais cara na história do país, o longa-metragem é uma síntese das várias dificuldades em Moçambique, das quais a aids, o alastramento da doença e a desinformação sobre ela são apenas algumas das questões abordadas. O drama da jovem Sofia (Gigliola Zacara) é recorrente de sua geração, que mantém pontos de preocupação com o HIV. Prestes a se formar na escola e a se submeter aos exames para Medicina, seu grande sonho, ela se vê chantageada pelo professor de biologia (Evaristo Abreu) que lhe dará boas notas em troca de favores sexuais. De origem humilde, moradora da periferia da capital Maputo, ela não conta com o apoio da família e ainda terá desilusões com o namorado. Uma conversa com o pai já doente, que deixou o primeiro casamento para constituir um segundo lar, e a ajuda de amigas como Jessica (Maria Amélia Pangane) contornam a tragédia maior, que ainda inclui corrupção e outras injustiças. O diretor Sol de Carvalho chegou ao roteiro final depois de entrevistar quarenta mulheres que passaram por situações semelhantes.
20h – POSITIVAS
Direção: Susanna Lira – Brasil – 2009 – 78 min. – DVD
Sinopse: O título do documentário sugere de imediato o tema e os personagens em questão. Mas as mulheres soropositivas retratadas pelo filme têm uma peculiaridade no universo dos infectados pelo HIV. Todas adquiriram o vírus dos maridos ou parceiros fixos de longa data e convivem com a doença há pelo menos uma década. Moradoras de várias capitais do país, de Salvador a Porto Alegre, Rosária, Medianeira, Cida, Heli, entre outras, contam o drama da descoberta da doença, o impacto da notícia no círculo familiar, profissional e pessoal, além do esforço natural de sobrevivência com os medicamentos. Alertam, principalmente, quanto ao perigo do uso de drogas pelos parceiros e a dificuldade em adotar o preservativo. Há relatos de violência doméstica quando o tema é a camisinha, o que determina uma triste aproximação de fatos similares na África, exemplar no documentário Sasa!, exibido na programação. Não por acaso, a maioria dessas personagens tornaram-se ativistas influentes nas comunidades em que vivem.
OBS: a diretora, Susanna Lira, estará presente para apresentar o filme.
22h - UNDER THE SKIN
Direção: Silvia Lourenço e Sabrina Greve – Brasil – 2010 - 7 min. – DVD
Sinopse: O curta-metragem integra o projeto de doze episódios Fucking Different São Paulo, co-produção Brasil e Alemanha que já está em sua quarta edição, e foi selecionado para a mostra paralela Panorama do Festival de Berlim 2010. Atriz premiada da nova geração, Silvia Lourenço (Quanto Dura o Amor?) uniu-se a outra jovem intérprete reconhecida, Sabrina Greve, para registrar o depoimento de rapaz que descobre ser possível conviver bem com o vírus HIV. Miguel Dias conta como se reconheceu homossexual ainda adolescente, sobre a primeira transa aos 19 anos, a dificuldade de se revelar aos pais e os vários parceiros. Mais complexa foi a notícia de ser soropositivo. No início com o rosto escondido por uma fotografia sombria, o protagonista vai sendo desvendado aos poucos até se mostrar, na medida em que assume uma condição mais tranqüila com a aids. Produção do alemão Kristian Petersen, a iniciativa com diversos diretores nasceu de oficinas no Festival Mix Brasil.
PEDRO (Pedro)
Direção: Nick Oceano – EUA – 2008 – 90 min. – DVD
Sinopse: A história verídica dramatizada com atores, o que se convencionou chamar de “docudrama”, dá conta aqui da trajetória do cubano Pedro Zamora (1972-1994), o primeiro homossexual soropositivo a participar de um reality show na televisão americana. Em 1994, a audiência da MTV acompanhou os desdobramentos de uma nova temporada do programa The Real World, encenado numa casa em São Francisco, no qual jovens conviviam no dia-a-dia. Por assumir sua doença, ainda em fase inicial, e discutir sobre ela abertamente no ar, Zamora (interpretado por Alex Loynaz) se tornou celebridade. A fama intensificou seu papel de ativista e educador em prol do esclarecimento da aids em todo o país. O filme mostra a trajetória do caçula de numerosa família em Cuba, a mudança para Miami e a descoberta da homossexualidade e do HIV pelo rapaz, apoiado especialmente pela irmã Mily (Justina Machado). Quando ainda integrava o time juvenil do programa e namorava Sean (DaJuan Johnson), com quem chegou a se casar, Zamora começou a apresentar os primeiros sintomas sérios provocados pelo vírus, situação que também ganhou cobertura da mídia. Um dos amigos mais próximos no projeto de TV, Judd Winick lançou em 2000 uma autobiografia em forma de quadrinhos sobre sua convivência com Zamora, material que inspirou os roteiristas.
Dia 19/08 (Quinta-feira)
18h – RUAS DA AMARGURA
Direção: Rui Simões – Portugal – 2008 – 111 min. – DVD
Sinopse: Os personagens do documentário são moradores de rua de Lisboa, outros que dela vivem ou outros ainda que têm um teto, mas estão sempre na iminência da marginalidade social. Todos, no entanto, sofrem com algum mal, seja o alcoolismo ou o vício das drogas, seja aflições mais emotivas que possam determinar um suicídio ou problemas psicológicos. Na intenção de dar voz e dignidade a esses excluídos, o veterano cineasta português Rui Simões não aborda a aids de modo direto, mas não deixa de sugerir o risco a que estão expostos, por exemplo, as travestis brasileiras atendidas por voluntários que lhes distribui preservativos e aconselham cuidados. Não é difícil imaginar o mesmo perigo de contaminação aos andarilhos que já experimentaram de tudo um pouco, da heroína ao LSD, exceto à figura mais cativante do filme, o senhor barbudo hoje apenas dependente do álcool e sempre disposto a cantar Charles Aznavour ou uma ópera em praça pública. Ainda nesse painel que procura não apontar como vítimas de injustiça seus contemplados, cabe uma artista de rua e suas descrições sobre a própria pintura, além dos pensamentos influenciados pela escritora de origem francesa Marguerite Duras e pelo cineasta sueco Ingmar Bergman.
20h – CARTÃO AMARELO
Direção: John and Louise Riber – Zimbábue – 2000 – 90 min. – DVD
Sinopse: O longa-metragem do diretor John Riber, que assina o roteiro em parceria com Andrew Whaley, contempla a geração mais vulnerável ao vírus HIV na África, o que equivale a dizer no mapa mundial. Quase um terço de soropositivos do continente tem idade entre 15 e 24 anos. Mas não é apenas a doença o foco desse drama ficcional, levado com graça e tom espirituoso. Também estão na agenda de preocupações desses adolescentes e pós-adolescentes o sexo sem camisinha, a gravidez precoce e inesperada, o aborto, além de demais doenças transmitidas sexualmente. É nesse universo que encontraremos o jovem de 17 anos Tyiane (Leroy Gopal), jogador de futebol na periferia de Harare, capital do Zimbábue, ex-Rodésia. Estudante exemplar e orgulho da família, ele é um herói local para as crianças e tipo popular entre as garotas. Uma delas é Linda (Ratidzo Mambo), que da amizade e afeto passa a se sentir atraída por Tyiane e acaba por engravidar dele. Mas o rapaz está mais interessado em Juliet (Kasamba Mkumba), jovem rica e envolvente, e rejeita a outra. Desta primeira derrapada virão as conseqüências para Tyiane em casa, na escola e no time, enquanto convive com um de seus melhores amigos que se descobre soropositivo.
22h – AS TEIAS DE ARANHA
Direção: Sol de Carvalho – Moçambique – 2007 – 105 min. – DVD
Sinopse: Realizado como minissérie para a televisão moçambicana TVM, a ficção tem como alvo uma juventude às voltas com questões típicas da idade como namoro, casamento, diversão e ambição para ganhar dinheiro. Adiciona-se a esse quadro a sombra da aids, que irrompe na vida do trio principal de protagonistas. Num bairro modesto da cidade de Beira, em Moçambique, Alice (Amélia Luis) está dividida entre o interesse do esforçado jovem Camilo (Chifite Chaúque) e do sedutor, mas instável, Mariano (Besnev Matezo), seu ex-namorado e ainda pretendente. Este último conta com o apoio dos pais de Alice, enquanto Camilo não é visto com bons olhos. Não bastasse a indefinição da moça, ela descobre-se grávida e portadora do HIV. Para sustentar o formato de novela, o filme ainda enreda outros temas e personagens, como a quadrilha de contrabandistas com a qual Mariano colabora e a dona de bar Constância (Ana Magaia), amparo maternal e ético nesse painel. O longa-metragem anterior de Sol de Carvalho presente no VI Cinema Mostra Aids, O Jardim do Outro Homem, também nos aproxima da ex-colônia portuguesa encravada na África e tão desconhecida do Brasil, com enredo e cenário semelhante.
Cine Olido
VI CINEMA MOSTRA AIDS
GALERIA OLIDO – CINE OLIDO
De 12 a 18/08/2010 – R$ 1,00, R$ 0,50 MEIA OU ENTRADA GRATUITA COM APRESENTAÇÃO DE VALE-INGRESSO IMPRESSO ATRAVÉS DO SITE WWW.AIDS.ORG.BR) – 16 ANOS
Dia 12/08 (Quinta-feira)
15h - PREGOS NA CABEÇA
(Pregos na cabeça, 2004, Moçambique, cor, 32’ – exibição em DVD)
Direção: Sol de Carvalho
Um drama acerca de discriminação e estigma para com os trabalhadores com HIV/AIDS.
O JARDIM DO OUTRO HOMEM
(O jardim do outro homem, 2006, Moçambique, cor, 80’ – exibição em DVD)
Direção: Sol de Carvalho
Elenco: Gigliola Sarifa, Viegas Jão Tovele, Ivan Augusto Laranjeira
Sofia tem 19 anos e vive num subúrbio pobre de Maputo. Passa diariamente por enormes dificuldades para prosseguir os estudos que lhe podem abrir as portas da universidade e a concretização do seu grande sonho: ser médica. E as dificuldades aumentam quando se descobre vítima de assédio por parte de um professor, possivelmente infectado com o vírus HIV, que não hesita em manipular o resultado do exame para conseguir o quer.
17h - GORETTI
(Goretti, 2005, França/Ruanda, cor, 13’ – exibição em DVD)
Direção: Diana Igirimbabazi
Com 16 anos, Goretti é a chefe da família. Seus pais morreram de Aids e desde então teve que interromper os estudos para cuidar sozinha de seus cinco irmãos.
FLORDELIS – BASTA UM PALAVRA PARA MUDAR
(Flordelis – Basta uma palavra para mudar, 2009, Brasil, cor, 100’ – exibição em DVD)
Direção: Marco Antonio Ferraz
A proposta de contar a história real de Flordelis, professora criada na favela carioca do Jacarezinho que passou a ajudar crianças e jovens a evitar a marginalidade, gerou um filme de gênero híbrido. Misto de documentário e ficção, o projeto buscou força na participação de estrelas como Reynaldo Giannechini, Déborah Secco, Letícia Spiller, Cauã Reymond, Fernanda Machado, Marcelo Antony, Letícia Sabatella, Isabel Fillardis, Sérgio Marone, entre outros. Enquanto a “mãe Flor” narra sua própria trajetória, que incluiu a fuga com sua prole adotada e a perseguição da polícia, os atores interpretam alguns dos personagens acolhidos por ela. Assim, em depoimentos em preto-e-branco e a frente de cenários que buscam a realidade da favela, surge o ex-líder de facção tornado advogado, o viciado em drogas regenerado, a jovem milionária que testemunhou e quase sucumbiu a um acerto de contas do tráfico, a prostituta que adquiriu o vírus HIV e histórias pessoais afins. Há ainda um segundo movimento ficcional sobre um caso de vingança entre gangues rivais. Muito do reconhecimento do trabalho voluntário da protagonista, casada com um pastor evangélico, partiu do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, e a ONG tocada por seus irmãos, em apoio também registrado no filme.
19h30 - CLARA E EU
(Clara et Moi, 2004, França, cor, 81’ – exibição em DVD)
Direção: Arnaud Viard
Elenco: Julien Boisselier, Julie Gayet, Michel Aumont, Sacha Bourdo
Ator ainda em busca da grande chance na carreira, o solteiro trintão Antoine, também procura a mulher de sua vida. Encontra-a no dia de seu aniversário e no vagão do metrô quando a bela Clara se senta a sua frente. É amor à primeira vista e os dois passam a conviver, ele fazendo seus testes de interpretação, ela trabalhando como atendente na companhia de trens francesa. O baque na felicidade do casal vem com a revelação de um teste positivo de HIV para Clara.
Dia 13/08 (Sexta-feira)
15h - AS TEIAS DA ARANHA
(As teias da aranha, 2007, Moçambique, cor, 105’ – exibição em DVD)
Direção: Sol de Carvalho
Num bairro modesto da cidade de Beira, em Moçambique, Alice está dividida entre o interesse do esforçado jovem Camilo e do sedutor, mas instável, Mariano, seu ex-namorado e ainda pretendente. Mariano conta com o apoio dos pais de Alice, enquanto Camilo não é visto com bons olhos. Não bastasse a indefinição da moça, ela descobre-se grávida e portadora do HIV.
17h - +o- O SEXO CONFUSO – CONTOS DA ERA AIDS
(+o- I’ll Sesso Confuso – Racontti di Mondi Nell’ Era AIDS, 2010, Itália, cor, 93’ – exibição em DVD)
Direção: Andre Adriatico e Giulio Maria Corbelli
Este painel documental das três décadas de convivência dos italianos com a aids começa, na verdade, nos anos 70. A dupla de diretores recua um pouco no histórico de surgimento da doença para apontar como aquele momento de liberdade sexual e intenso consumo de drogas abriu caminho para a disseminação, dez anos depois, do HIV entre a população jovem, especialmente os grupos homossexuais e viciados. Em depoimentos, soropositivos e especialistas, como cientistas, médicos, psiquiatras, além de ativistas e um padre, ajudam a amarrar o percurso da doença, de seu pico nos anos 80 ao aparecimento das primeiras medicações na década seguinte. Os anos 2000 surgem como o período de convivência e de novos e polêmicos procedimentos no cenário da moléstia, a exemplo do chamado “barebacking”, o sexo deliberado e sem proteção com infectados pelo HIV com o intuito de adquirir o vírus. Entre os depoentes está o ator Thomas Trabacchi, que interpretou um soropositivo estável graças aos medicamentos no filme Dias (2001), já exibido pelo Cinema Mostra Aids.
19h30 - TRANSLATINA
Direção: Felipe Degregori
Perú, 2009, 93min. DVD
A aids neste painel documental é somente mais um problema a ser enfrentado pelas transexuais e travestis dos países latinos de língua espanhola, principais personagens do filme. Produzido a partir do Peru, cenário principal das entrevistas e discussões, a fita contempla ainda Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Uruguai, e mesmo o Brasil, representado pelo “portunhol” da personagem Liza Minelli. Assim como ela, vários entrevistados militam pela causa desses excluídos sociais em organizações não governamentais e associações de ajuda. Por vezes a luta coincide com a opção pessoal pela mudança de sexo, as transformações no corpo propiciadas pelo silicone e a prostituição determinada pela sobrevivência, inclusive no caso dos garotos de programa. Boa parte dos depoentes são soropositivos e relatam suas experiências pessoais, familiares e de descoberta da doença. Mas para além do HIV, enfrentam ainda a violência tanto por parte de clientes como da polícia, o preconceito em círculos sociais como a escola, e a dificuldade de conseguir um emprego convencional.
Haverá debate após a exibição do filme.
Dia 14/08 (Sábado)
15h - ACT UP – MUDANDO A DEFINIÇÃO DE AIDS
(Act Up Oral History Project, 2009, EUA, cor, 30’ – exibição em DVD)
Em 1987, um grupo de aproximadamente trezentos ativistas homossexuais formou em Nova York o Aids Coalition to Unleash Power, ou Act Up, a partir de uma dissidência do Gay Men’s Health Crisis (GMHC). Desde então, a turma organizou protestos e iniciativas de esclarecimento sobre a doença, com alvo principalmente na legislação, pesquisa médica, tratamento e política de saúde. A atividade pioneira foi fundamental para mudar o conceito em torno da aids. Uma das questões daquele período ainda misterioso sobre a ação do HIV dizia respeito aos “grupos de risco” e seus direitos a tratamento concedido pelo governo. Este documentário, parte do programa maior Act Up – Oral History Project, contempla a situação das mulheres infectadas pelo vírus, lésbicas ou não, assim como usuárias de drogas, e os benefícios conquistados para reconhecimento como vítimas e medicação adequada. Ao mesmo tempo em que relembram os preconceitos e barreiras nos anos 80, as ativistas Marion Banzhaf, Heidi Dorow, Maxime Wolfe e Terry McGovern comentam em seus depoimentos a coragem do Act Up, modelo que se tornou referência para o mundo no combate à aids.
ESTRADA PARA A ESPERANÇA
(Road to Hope, 2005, EUA, cor, 75’ – exibição em DVD)
Direção: Leslie Marie Cannon
A organização americana de combate ao aids/HIV Hope’s Voice foi criada em 2004 por Todd Murray com o objetivo de esclarecer os jovens sobre o tema. No ano seguinte, uma campanha nacional com o apoio de diversas entidades e empresas incluiu uma turnê por 22 universidades de todo o país. Este documentário acompanha os primeiros quatro jovens voluntários encarregados de contar suas experiências como soropositivos aos alunos, além de Murray, durante palestras. Ao mesmo tempo em que são vistos em ação, Amira Hikin, Duane Quintana, Lantz Smith e Marvelyn Brown dão depoimento à câmera sobre seus conflitos pessoais com a doença, a descoberta da homossexualidade, a difícil relação com a família e a convivência com o HIV. Nos encontros com os estudantes, em vez de conselhos ou cuidados práticos, os palestrantes preferem um relato informal e uma conversa franca sobre o que vivenciam, muitas vezes com retorno de perguntas da platéia.
17h - AS OFICINAS DE DEUS
(Les Bureaux de Dieu , 2007, França, cor, 122’ – exibição em DVD)
Direção: Claire Simon
Elenco: Anne Alvaro, Nathalie Baye, Michel Boujenah, Rachida Brakni
Anne, Denise, Marta, Yasmine e Milena são conselheiras do Centro de Planejamento Familiar. Elas ouvem moças e mulheres que anseiam por liberdade sexual e procuram informações sobre métodos contraceptivos e aborto.
19h30 - UM GENOCÍDIO SILENCIOSO – UM BREVE OLHAR NO HIV/AIDS
(A Silent Genocide – A Brief Insight into HIV/AIDS, 2009, EUA, 10’ – exibição em DVD)
Direção: Tantra Zawadi e Oliver Covrett
Poeta, escritora e performer americana, Tantra Zawadi é a anfitriã desse breve mas objetivo quadro de como a aids avança sobre a população de ascendência afro na região de Nova York. Ao mesmo tempo em que aproveita um evento público para entrevistar anônimos, ela conversa com especialistas sobre o tema, a exemplo da fundadora do Girl Child Network Worldwide, Betty Makoni, de atuação reconhecida. Das estatísticas, o curta-metragem apresenta condições e números impactantes, como o fato dos condados de Nassau e Sufolk, em Long Island, reunirem o maior número de infectados entre todos os 26 estados americanos. Ou que 13% da população africana dos Estados Unidos está infectada pelo HIV. Para contrabalançar as duras revelações, o filme apresenta poesias de jovens autores. O trabalho de Zawadi e Oliver Covrett é um interessante complemento ao média-metragem Out of Control – Aids in Black America, que integra a programação.
SASA! UM FILME SOBRE MULHERES, VIOLÊNCIA E HIV/AIDS
(Sasa! A Film about Women, Violence and HIV/AIDS - Canadá/Uganda/Tanzânia, 2007,30min. DVD
Direção: Chanda Chevannes
O subtítulo do documentário é “um filme sobre mulheres, violência e HIV/Aids”. Esse três pontos convergem na África Subsariana de uma forma pouco conhecida e divulgada, daí a urgência que traz a palavra “sasa”, “agora” no idioma suaíli.
FORA DE CONTROLE: AIDS NA AMÉRICA NEGRA
(Out of Control: Aids in Black America, 2006, EUA, cor, 45’ – exibição em DVD)
Direção: Elizabeth Arledge
O documentário revela porque a população americana afro-descendente é mais suscetível ao vírus HIV.
Dia 15/08 (Domingo)
15h - NO LIMITE – SEIS CAPÍTULOS SOBRE A AIDS NA UCRÂNIA
(Am Rande – Sechs Kapitel Über Aids in der Ukraine, 2006, Alemanha/Ucrânia, cor, 105’ – exibição em DVD)
Direção: Karsten Hein
Na ex-república soviética da Ucrânia, 1% da população está infectado pelo vírus HIV, o que representa meio milhão de pessoas. O documentário contempla o leste do país, onde estão cidades como Donezk, e registra como principais vítimas os dependente de drogas, além de prostitutas e crianças. Uma tese de base social justifica boa parte do alastramento da doença, na medida em que o fim do bloco socialista gerou desemprego, miséria e principalmente deixou muitos cidadãos à deriva, sem esperança e, portanto, presas fáceis dos tóxicos pesados.
17h - UNDER THE SKIN
(Under the Skin, 2010, Brasil, cor, 7’ – exibição em DVD)
Direção: Silvia Lourenço e Sabrina Greve
O curta-metragem integra o projeto de doze episódios Fucking Different São Paulo, co-produção Brasil e Alemanha que já está em sua quarta edição, e foi selecionado para a mostra paralela Panorama do Festival de Berlim 2010. Atriz premiada da nova geração, Silvia Lourenço (Quanto Dura o Amor?) uniu-se a outra jovem intérprete reconhecida, Sabrina Greve, para registrar o depoimento de rapaz que descobre ser possível conviver bem com o vírus HIV. Miguel Dias conta como se reconheceu homossexual ainda adolescente, sobre a primeira transa aos 19 anos, a dificuldade de se revelar aos pais e os vários parceiros. Mais complexa foi a notícia de ser soropositivo. No início com o rosto escondido por uma fotografia sombria, o protagonista vai sendo desvendado aos poucos até se mostrar, na medida em que assume uma condição mais tranqüila com a aids. Produção do alemão Kristian Petersen, a iniciativa com diversos diretores nasceu de oficinas no Festival Mix Brasil.
CARTÃO AMARELO
(Yelow Card, 2000, Zimbabwe, cor, 90’ – exibição em DVD)
Direção: John Riber
O longa-metragem do diretor John Riber, que assina o roteiro em parceria com Andrew Whaley, contempla a geração mais vulnerável ao vírus HIV na África, o que equivale a dizer no mapa mundial. Quase um terço de soropositivos do continente tem idade entre 15 e 24 anos. Mas não é apenas a doença o foco desse drama ficcional, levado com graça e tom espirituoso. Também estão na agenda de preocupações desses adolescentes e pós-adolescentes o sexo sem camisinha, a gravidez precoce e inesperada, o aborto, além de demais doenças transmitidas sexualmente. É nesse universo que encontraremos o jovem de 17 anos Tyiane (Leroy Gopal), jogador de futebol na periferia de Harare, capital do Zimbábue, ex-Rodésia. Estudante exemplar e orgulho da família, ele é um herói local para as crianças e tipo popular entre as garotas. Uma delas é Linda (Ratidzo Mambo), que da amizade e afeto passa a se sentir atraída por Tyiane e acaba por engravidar dele. Mas o rapaz está mais interessado em Juliet (Kasamba Mkumba), jovem rica e envolvente, e rejeita a outra. Desta primeira derrapada virão as conseqüências para Tyiane em casa, na escola e no time, enquanto convive com um de seus melhores amigos que se descobre soropositivo.
Dia 17/08 (Terça-feira)
15h - PAPEL NÃO EMBRULHA BRASAS
(Le Papier ne pas peut envelopper la braise, 2006, França, cor, 86’ – exibição em DVD)
Direção: Rithy Panh
O cineasta cambojano acompanha o processo de exclusão social de uma prostituta, que se sente impedida de voltar à cidade natal por medo de que os habitantes saibam o que ela fazia para sobreviver em Phnom Penh. Neste contexto, a decadência do corpo iguala-se a uma espécie de morte civil.
17h - PEDRO
(Pedro, 2008, EUA, cor, 90’ – exibição em DVD)
Direção: Nick Oceano
A história verídica dramatizada com atores, o que se convencionou chamar de “docudrama”, dá conta aqui da trajetória do cubano Pedro Zamora (1972-1994), o primeiro homossexual soropositivo a participar de um reality show na televisão americana. Em 1994, a audiência da MTV acompanhou os desdobramentos de uma nova temporada do programa The Real World, encenado numa casa em São Francisco, no qual jovens conviviam no dia-a-dia. Por assumir sua doença, ainda em fase inicial, e discutir sobre ela abertamente no ar, Zamora (interpretado por Alex Loynaz) se tornou celebridade. A fama intensificou seu papel de ativista e educador em prol do esclarecimento da aids em todo o país. O filme mostra a trajetória do caçula de numerosa família em Cuba, a mudança para Miami e a descoberta da homossexualidade e do HIV pelo rapaz, apoiado especialmente pela irmã Mily (Justina Machado). Quando ainda integrava o time juvenil do programa e namorava Sean (DaJuan Johnson), com quem chegou a se casar, Zamora começou a apresentar os primeiros sintomas sérios provocados pelo vírus, situação que também ganhou cobertura da mídia. Um dos amigos mais próximos no projeto de TV, Judd Winick lançou em 2000 uma autobiografia em forma de quadrinhos sobre sua convivência com Zamora, material que inspirou os roteiristas.
19h30 - POSITIVAS
(Positivas, 2009, Brasil, cor, 78’ – exibição em DVD)
Direção: Susanna Lira
O documentário acompanha a trajetória de sete mulheres soropositivas. No entanto, possuem uma peculiaridade no universo dos infectados pelo HIV. Todas adquiriram o vírus dos maridos ou parceiros fixos de longa data e convivem com a doença há pelo menos uma década.
Dia 18/08 (Quarta-feira)
15h - O INCÊNDIO
(The Bushfire, 2001, Quênia, cor, 60’ – exibição em DVD)
Direção: Stephen Makau
A produção caseira e os atores não-profissionais dão a medida da intenção do realizador. Ele quer falar nesta ficção de modo direto e didático aos jovens sobre a proliferação do HIV num país africano pobre e carente de informações como o Quênia. Sua protagonista é Nadi, garota que acaba de se formar no colégio com excelentes resultados e vista pelos pais como a esperança para tirá-los da miséria. Nadi sabe da responsabilidade e sonha em ser piloto. Uma possibilidade de começar a construir seu futuro aparece com a colega de escola Tabu. Jovem ativa sexualmente e com muitos namorados, ela se dá conta que pode ganhar dinheiro com o corpo e acaba contraindo o HIV do pastor local. Enquanto continua a manter relações sexuais indiscriminadamente, Tabu atrai Nadi para uma cilada com dois homens, fingindo se tratar apenas de um passeio. Em meio a ação dramática, o filme questiona a postura nem sempre séria de instituições como a religião e a medicina no trato com a aids. No elenco, Mercy Mwaniki, Diana Moreka, Kennedy Msumba e John Wanjohi.
17h - RUAS DA AMARGURA
(Ruas da Amargura, 2008, Portugal, cor, 111’ – exibição em DVD)
Direção: Rui Simões
Os personagens do documentário são moradores de rua de Lisboa, outros que dela vivem ou outros ainda que têm um teto, mas estão sempre na iminência da marginalidade social. Todos, no entanto, sofrem com algum mal, seja o alcoolismo ou o vício das drogas, seja aflições mais emotivas que possam determinar um suicídio ou problemas psicológicos. Na intenção de dar voz e dignidade a esses excluídos, o veterano cineasta português Rui Simões não aborda a aids de modo direto, mas não deixa de sugerir o risco a que estão expostos, por exemplo, as travestis brasileiras atendidas por voluntários que lhes distribui preservativos e aconselham cuidados. Não é difícil imaginar o mesmo perigo de contaminação aos andarilhos que já experimentaram de tudo um pouco, da heroína ao LSD, exceto à figura mais cativante do filme, o senhor barbudo hoje apenas dependente do álcool e sempre disposto a cantar Charles Aznavour ou uma ópera em praça pública. Ainda nesse painel que procura não apontar como vítimas de injustiça seus contemplados, cabe uma artista de rua e suas descrições sobre a própria pintura, além dos pensamentos influenciados pela escritora de origem francesa Marguerite Duras e pelo cineasta sueco Ingmar Bergman.
19h30 - TRANSLATINA
Direção: Felipe Degregori
Perú, 2009, 93min. DVD
A aids neste painel documental é somente mais um problema a ser enfrentado pelas transexuais e travestis dos países latinos de língua espanhola, principais personagens do filme. Produzido a partir do Peru, cenário principal das entrevistas e discussões, a fita contempla ainda Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Uruguai, e mesmo o Brasil, representado pelo “portunhol” da personagem Liza Minelli. Assim como ela, vários entrevistados militam pela causa desses excluídos sociais em organizações não governamentais e associações de ajuda. Por vezes a luta coincide com a opção pessoal pela mudança de sexo, as transformações no corpo propiciadas pelo silicone e a prostituição determinada pela sobrevivência, inclusive no caso dos garotos de programa. Boa parte dos depoentes são soropositivos e relatam suas experiências pessoais, familiares e de descoberta da doença. Mas para além do HIV, enfrentam ainda a violência tanto por parte de clientes como da polícia, o preconceito em círculos sociais como a escola, e a dificuldade de conseguir um emprego convencional.