IX Cinema Mostra Aids
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48 HORAS
(48 Fest: Kenya, Inglaterra, 2007, 22 min)
Direção: Jules Wilson.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

Num concurso, durante uma conferência internacional de mulheres ativistas que atuam na luta contra aids, em Nairóbi, no Quênia, trinta jovens de diversas partes do mundo receberam o desafio de realizar, em 48 horas, curtas sobre a aids para serem exibidos mundialmente. O documentário acompanha os bastidores, a formação dos grupos, as dúvidas, discussões, as dificuldades com a produção e a luta contra o tempo para finalizar oito curtas, que revelam um olhar feminino sobre a aids.

 

68 PÁGINAS
(Índia, 2007, 92 min)
Direção: Sridhar Rangayan.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009) e na VII Cinema Mostra Aids (2011).

O filme coloca em cena personagens ignorados pela grande indústria indiana do cinema: um bailarino transexual, um casal gay, um profissional do sexo e um usuário de drogas. Histórias de dor e trauma, felicidade e esperança, a partir de cinco vidas e experiências registradas em 68 páginas do diário de Mansi, uma conselheira cuja exigência ética é a de manter a confidencialidade dos seus casos. Ao tentar ser objetiva na compreensão dos problemas ela não pode envolver-se emocionalmente com nenhuma pessoa que está aconselhando.

 

+ ou – O SEXO CONFUSO – CONTOS DA ERA AIDS
(Il Sesso Confuso – Racconti di Mondi nell’era Aids, Itália, 2010, 93 min)
Direção: Andrea Adriatico e Giulio Maria Corbelli.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Este painel documental das três décadas de convivência dos italianos com a aids começa, na verdade, nos anos 1970. A dupla de diretores recua um pouco no histórico da doença para apontar como aquele momento de liberdade sexual e intenso consumo de drogas abriu caminho para a disseminação, dez anos depois, do HIV entre a população jovem, especialmente os grupos homossexuais e viciados. Em depoimentos, soropositivos e especialistas, como cientistas, médicos, psiquiatras, além de ativistas e um padre, ajudam a amarrar o percurso da doença, de seu pico nos anos 1980 ao aparecimento das primeiras medicações na década seguinte. Os anos 2000 surgem como o período de convivência e de novos e polêmicos procedimentos no cenário da aids, a exemplo do chamado barebacking, o sexo deliberado e sem proteção com infectados pelo HIV, com o intuito de adquirir o vírus.

 

A CLOSER WALK
(A Closer Walk, EUA, 2003, 85 min)
Direção: Robert Bilheimer.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006) e na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

Um panorama caótico da epidemia da aids é mostrado nesse documentário narrado pelos astros Glenn Close e Will Smith. As câmeras passeiam pela África mostrando o drama de crianças órfãs e o descaso da saúde pública em países pobres; circulam por nações da Europa central, onde drogados compartilham seringas infectadas; e enfocam, na Índia, a tragédia de soropositivas contaminadas pelos próprios maridos. Há entrevistas com pacientes, médicos, enfermeiros, além de depoimentos do Dalai Lama, do pop star Bono Vox e do secretário-geral da ONU Kofi Annan. O filme é um alerta de que a aids ainda continua fazendo vítimas.

 

A CURA
(The Cure, EUA, 1995, 99 min)
Direção: Peter Horton.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

Emocionante, esse drama aborda a aids do ponto de vista infantil e em tom de fábula ingênua. Tal fórmula faz da fita um exemplar único no gênero, apoiada na cativante interpretação da dupla central. Numa pequena cidade americana, o conservadorismo reduz a vida do garotinho Dexter (Joseph Mazzello) a quase uma prisão domiciliar. Ele contraiu o vírus HIV numa transfusão de sangue e os efeitos já são visíveis no corpo franzino. A vizinhança não quer saber dele por perto e a mãe (Annabella Sciorra) pouco pode fazer a não ser se conformar. Seu aliado é o garoto Erik (Brad Renfro). Juntos, os companheiros se lançam na aventura de descobrir a cura da doença. Vale de tudo, de chás milagrosos a um possível elixir.

 

A FACE FEMININA DA AIDS
(The Female Face of AIDS: Crisis in Malawi, EUA, 2008, 33 min)
Direção: Doug Karr e Edward Boyce.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

Em 2007, uma equipe de pesquisadores americanos do Leitner Center for International Law and Justice viajou a Malawi para tentar entender porque as mulheres de lá são a maioria (58%) da população infectada pela aids e como a infecção e a doença afetam suas vidas. Registradas no documentário, as entrevistas conduzidas pela equipe revelam uma combinação mortal de desigualdade feminina, pobreza, práticas culturais e crenças que comprometem severamente as vidas dessas mulheres e de suas crianças.

 

A FAMÍLIA DE FELIX
(Drôle de Félix, França, 2000, 95 min)
Direção: Olivier Ducastel e Jacques Martineau.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006).

Outro exemplo, assim como Dias (2001), de um olhar diferente sobre a aids. O jovem Félix (Sami Bouajila), filho de imigrantes árabes na França, integra a geração de soropositivos que sobrevive com a ajuda dos coquetéis. Depois de perder o emprego, ele abandona o namorado e parte numa viagem pelo interior do país atrás do pai que nunca conheceu. No caminho, diverte-se, encontra novos parceiros e personagens que coincidem com seu desejo de reestruturação familiar.

 

A HISTÓRIA DE RACHEL
(Rachel’s Story, Inglaterra, 2002, 22 min)
Direção: Chris Smart.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Terceira numa família de quatro irmãos, Rachel Whitear cresceu como uma garota típica da classe média do interior inglês. Aos 18 anos, sua vida se transforma. Conhece um rapaz mais velho viciado em heroína, com quem passa a namorar, e torna-se também dependente da droga. A incredulidade de que a filha pudesse estar envolvida com drogas retardam o auxílio da família e Rachel, já na universidade e distante de casa, é encontrada morta por overdose. O curta-metragem documental inclui memórias, como quando a protagonista devolveu à mãe um relógio de ouro pertencente a sua avó para não correr o risco de vendê-lo. Além dos pais, dão depoimento uma das irmãs e a melhor amiga. A imagem mais impactante, no entanto, é uma foto do corpo da vítima ainda no chão de seu quarto com os estragos visíveis do vício, momento que os pais decidiram tornar público com objetivo educativo às novas gerações.

 

A VELOCIDADE DE GARY
(The Velocity Of Gary, EUA, 1998, 100 min)
Direção: Dan Ireland.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

Sucesso dos anos 1990, o drama traz no elenco nomes hoje consagrados. A mexicana Salma Hayek (Frida) interpreta Mary Carmen, uma mulher apaixonada por Valentino (Vincent D'Onofrio), um ator de filmes pornográficos. Quando este conhece o garoto de programas Gary (Thomas Jane), a relação entre o casal estremece. A situação se agrava quando Valentino descobre ser HIV positivo. Para abrandar os últimos dias de vida do amado, Mary Carmen não se importa em dividir o amor de Valentino com Gary, formando um explosivo triângulo amoroso. À vontade nos papéis de bi e homossexual, D'Onofrio e Thomas Jane protagonizam calorosas cenas de sexo.

 

A VIAGEM
(The Trip, EUA, 2002, 94 min)
Direção: Miles Swain.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

Alan (Larry Sullivan), um jornalista recém-formado e conservador, encontra Tommy (Steve Braun), ativista dos direitos dos homossexuais. A princípio, a aproximação é justificada pela intenção do primeiro, que escreve um livro sobre gays. Mas rapidamente a relação se transforma em um romance que tem início em 1973 e atravessa os anos 80. O diretor Miles Swain mostra o painel de mudanças da liberdade sexual e o surgimento das primeiras mortes pelo vírus HIV.

 

A VIDA DOS PARDAIS
(The Lost Sparrows of Roodepoort, Estados Unidos, 2008, 28 min)
Direção: Brock Carter e David Ponce.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

Em Roodepoort, na periferia de Joanesburgo, África do Sul, a Sparrow Village é uma casa de apoio para crianças que vivem com HIV e aids. Ainda no início dos anos 1990, em meio à crescente devastação da aids, Corine Mclintock decide acolher de crianças doentes, para que tenham algum conforto em seus últimos dias de vida. Cria um verdadeiro lar, com rotina diária de medicação, escola, exames e até mesmo festa de aniversário.

 

ABC AFRICA
(ABC África, Irã / França, 2001, 85 min)
Direção: Abbas Kiarostami.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

O cinema poético do iraniano Abbas Kiarostami (Gosto de Cereja) abre exceção neste documentário para uma tarefa triste e dolorosa. O diretor recebeu da ONU a incumbência de conhecer e filmar, em Uganda, o drama das crianças órfãs de pais soropositivos. O resultado, em registro digital, não poderia ser convencional e o cineasta faz de sua própria surpresa frente à tragédia o objeto de reflexão. O filme também é um retrato do cotidiano penoso do povo africano, questionado em conversas e depoimentos informais.

 

ACT UP – MUDANDO A DEFINIÇÃO DE AIDS
(Act Up Oral History Project, 2009, EUA, 27 min)
Direção: James Wentzy e Jim Hubbard.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Em 1987, um grupo de aproximadamente trezentos ativistas homossexuais formou em Nova York o Aids Coalition to Unleash Power, ou Act Up. Organizavam protestos e iniciativas de esclarecimento sobre a doença, com alvo principalmente na legislação, pesquisa médica, tratamento e política de saúde. A atividade pioneira foi fundamental para mudar o conceito em torno da aids. Este documentário, parte do programa maior Act Up – Oral History Project, contempla a situação das mulheres infectadas pelo vírus, lésbicas ou não, assim como usuárias de drogas. Ao mesmo tempo em que relembram os preconceitos e barreiras nos anos 80, as ativistas Marion Banzhaf, Heidi Dorow, Maxime Wolfe e Terry McGovern comentam em seus depoimentos a coragem do Act Up, modelo que se tornou referência para o mundo no combate à aids.

 

AFETADO - O PROJETO AIDS
(Affected: The Aids Project, EUA, 2006, 30 min)
Direção: Gianni-Amber North.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

Nunca custa repetir as regrinhas básicas de prevenção, como faz esse curta-metragem assumidamente ativista, lançando mão de uma história recorrente. Akilah (Winnie Young) e Shaun (Theodore Perkins) namoram há quatro meses sem terem feito sexo. Ela enfim abre o jogo e pede ao nervoso e confuso namorado que faça seu primeiro teste de HIV. Ele se recusa, acredita que não teve relacionamentos suficientes para ter corrido risco etc. A jovem não quer arriscar tudo só na camisinha. O conflito é armado, enquanto Akilah apoia um amigo soropositivo e Shaun recebe algumas lições de um amigo que trabalha numa clínica médica.

 

AIDS E PRECONCEITO – OU A PERNALONGA DA HISTÓRIA
(Brasil, 2005, 17 min)
Direção: Wilson Freire.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Figura popular e querida da cena alternativa do Recife, o ator Antonio Roberto de Lira, atuava travestido no palco e em filmes experimentais. Bissexual, se descobriu soropositivo em 1987, mas não desenvolveu a doença, o que não evitou que tivesse um fim trágico em 2000. Vítima de um suposto assalto em Olinda durante a madrugada, o ator foi ferido com uma facada e esperou tempo demais por socorro. Na época, questionou-se se a hesitação de testemunhas e moradores em ajudá-lo não teria sido causada pelo conhecimento público de que ele era portador de HIV. Sua ex-companheira Flávia, amigos, colegas de profissão, familiares e médicos dão depoimentos.

 

ALGUÉM AINDA MORRE DE AIDS?
(Does anyone die of aids anymore?, EUA, 2002, 25 min)
Direção: Louise Hogarth.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006) e na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

Para a diretora Louise Hogarth a aids não está totalmente controlada. Nesta breve investigação sobre o risco de mortalidade da doença, numa época em que muitas vidas são salvas graças aos coquetéis, a realizadora adota uma perspectiva cautelosa sobre o possível declínio de progressão da infecção pelo vírus HIV. Entre os relatos, o filme antecipa um tipo de ação que foi explorado em seguida no documentário O Presente. Trata-se do barebacking e as festas nas quais homossexuais são infectados voluntariamente pelo vírus de parceiros soropositivos. O filme questiona também a efetividade de novos tratamentos e alerta para uma "terceira onda" da doença que inclui a mutação do vírus e a associação a um câncer.

 

A-LIST
(A-List - Life and Death on the A-List, EUA, 1996, 45 min)
Direção: Jay Corcoran.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

O nome de Tom McBride (1952-1995), morto em decorrência de complicações da aids, pode não significar muito por aqui. Mas na América sedenta por símbolos de correção política, ou simplesmente de beleza e sucesso, McBride foi ídolo ao incorporar o Homem de Marlboro - aquele mesmo dos comercias. Neste documentário, o ator e modelo, já visivelmente abatido, discute a sua beleza, que o incluiu na chamada A-List, que elegia os homens gays mais bonitos e desejados, e a revelação da doença que o tirou desta lista.

 

ALTO RISCO
(Alto Riesgo, Espanha, 2007, 10 min)
Direção: Nahuel Losada.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

Ao mesmo tempo em que confronta seus medos e dúvidas com o anúncio de um novo e resistente vírus da aids, um jovem apaixona-se pelo homem que pode ser o paciente zero da ameaça. Ele encara, então, uma viagem onírica ao coração do desconhecido e à própria incapacidade de amar.

 

AMOR E RESTOS HUMANOS
(Love And Human Remains, Canadá, 1993, 104 min)
Direção: Denys Arcand.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

Numa visão pouco otimista das relações amorosas, o cineasta canadense Denys Arcand vai fundo em temas como a obsessão no limite da psicose, solidão e o egoísmo, painel em que a aids serve como instrumento de redefinição. O filme é uma síntese das preocupações e ansiedades da geração dos anos 90. O ator frustrado e garçom David (Thomas Gibson) é um homossexual que divide o apartamento com uma jovem editora de livros (Ruth Marshall). Ambos rondam a cidade em busca do amor ideal, mas só convivem com personagens sombrios. Um serial er assusta a cidade com assassinatos misteriosos. Um parceiro de David aparece com a notícia de um exame de HIV positivo.

 

AMOR NO TEMPO DO HIV
(Love in a time of Aids, EUA, 2008, 40 min)
Direção: Beth Jones.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Os cinco personagens de diversos países deste documentário estão entre os trinta milhões de pessoas que vivem com HIV em todo o mundo, conforme anuncia a estatística logo no início. O filme aponta a possibilidade da boa convivência com a doença, inclusive com a possibilidade de constituir família. É o caso, por exemplo, do casal inglês Andrew e Michelle, que decide ter um segundo filho pelo processo de fertilização in vitro, com lavagem de esperma, já que ele, hemofílico, contraiu o vírus numa transfusão de sangue quando criança. Também dos russos Zhenia e Volodya, mas aqui num contexto mais radical. Para ter um filho, o marido decide arriscar-se a ser contaminado pela esposa Zhenia, que aos 20 anos se drogou com a agulha de uma amiga infectada.

 

ANJOS DA ASA QUEBRADA
(Brasil, 2000, 30 min)
Diretor: Jorge Ferreira
Exibido na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

Vídeo destaca importância do exame de HIV e sífilis na gestação. A produção, que contou com o apoio da UNESCO, mostra a história de Silvana, que descobriu ser portadora do HIV durante a amamentação de seu segundo filho, e perdeu o marido e outro filho por aids. Seu depoimento emocionado, comentado por profissionais de saúde, reforça a importância da realização de testes para detecção precoce do HIV e sífilis durante a gestação. Ao abordar de forma humana e sensível a questão da transmissão vertical, é mais uma contribuição para o esclarecimento dos profissionais de saúde e da população sobre a importância da testagem e da profilaxia intraparto.

 

ANJOS DO SOL
(Brasil, 2006, 90 min)
Direção: Rudi Lagemann.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

Maria, uma garota de 12 anos, é vendida pela família a um explorador de menores. Ela vai parar num prostíbulo na floresta amazônica, onde as meninas são vítimas de abusos e também da aids. Após conseguir fugir, cruza o país, viajando de caminhão até o Rio de Janeiro. Com elenco que inclui os atores Antônio Calloni, Chico Diaz, Otávio Augusto, Vera Holtz e Darlene Glória, o filme recebeu diversos prêmios, entre os quais o de melhor filme, em Gramado, onde Lagemann também ficou o com título de melhor roteiro. No Miami Internacional Film Festival, foi eleito melhor filme, segundo o júri popular.

 

ANTES DO ANOITECER
(Before Night Falls, EUA, 2000, 125 min)
Direção: Julian Schnabel.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

Um drama biográfico em que amor e rebeldia - na política, no sexo, na vida - que a são consumidos pela aids. Interpretado por Javier Bardem, o escritor cubano Reinaldo Arenas (1943-1990), jovem homossexual de origem pobre que divide seu tempo entre os prazeres idílicos da ilha, a literatura, os parceiros e a boa disposição para o engajamento político, uni-se aos revolucionários para levar Fidel Castro ao poder. Quando Fidel alcança o poder, mostra pouca ou nenhuma simpatia por gays e artistas, entre outros.

 

ARRISCAR-SE COM DEUS
(Taking a Chance on God, Estados Unidos, 2012, 56 min)
Direção: Brendan Fay.

O personagem deste documentário é um exemplo da diversidade do universo ético e sexual, além de referência na luta pelo respeito a comunidade gay. John McNeill, padre americano pioneiro na defesa dos direitos homossexuais, adotou a religião católica depois da experiência como soldado prisioneiro dos campos de concentração nazistas. Ligado a ordem jesuíta, primeiro se tornou voz frequente nos protestos contra a Guerra de Vietnã. Com os conflitos entre gays e a polícia de Nova York, em 1969, a partir da invasão do bar Stonewall, passou a reivindicar publicamente liberdade e respeito à classe. Um passo significativo foi a fundação, junto com outros colegas, do grupo católico de gays e lésbicas Dignity. A entidade e a persistência do religioso ajudaram no enfrentamento da eclosão da aids no início dos anos 80. Mas essa década também marcou a retaliação do Vaticano a McNeill, primeiro com uma ordem de silêncio do então cardeal Joseph Ratzinger, atual papa, e depois com sua expulsão por desobediência. Aos 85 anos, 45 deles vividos com o companheiro Charles Chiarelli, McNeill retoma sua própria história junto com depoimentos de amigos de vocação e familiares.

 

AS HORAS
(The Hours, EUA, 2002, 116 min)
Direção: Stephen Daldry.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004) e na III Cinema Mostra Aids (2006).

No personagem de Ed Harris, um escritor soropositivo, angustiado e à beira da morte, encontra-se uma das representações mais perturbadoras da aids no cinema recente. A dor da tragédia é dividida com sua ex-amante (Meryl Streep), num momento em que ela organiza uma festa para homenageá-lo. A reação perante a doença é simbólica de um período e de uma personalidade que, antes de procurar conviver com o vírus, caminha para o desespero e a entrega. O filme de Stephen Daldry é uma adaptação do romance Mrs Dalloway, de Virginia Woolf, como mais duas histórias, que têm como protagonistas duas grandes atrizes, Nicole Kidman e Julianne Moore.

 

AS OFICINAS DE DEUS
(Les Bureaux de Dieu, França, 2008, 119 min)
Direção: Claire Simon.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

No final dos anos 90, a diretora Claire Simon conheceu um centro de planejamento familiar de uma cidade no interior da França. Ficou impressionada com os fatos e as situações que testemunhou e pediu para registrar num gravador as conversas entre a equipe de aconselhamento, formada na maioria por mulheres, e seus pacientes, também em geral do sexo feminino. O material gerou anos depois o roteiro deste filme de ficção com lastro documental, com intérpretes de referência do cinema francês, como Nathalie Baye e Michel Boujenah. O endereço agora é Paris e o serviço gratuito do governo orienta desde a primeira menstruação até a decisão de aborto. As conselheiras ouvem casos como da jovem Djamila, que quer tomar pílula anticoncepcional. Ou de Zoé e Nejma, em dificuldades com as respectivas mães por terem sido descobertas com camisinhas e pílulas. Há jovens que reclamam de serem férteis demais e outras de não conseguirem engravidar. Entre cuidados e conselhos práticos, as atendentes também oferecem apoio psicológico às pacientes de todas as idades.

 

AS TEIAS DA ARANHA
(Moçambique, 2007, 105 min)
Direção: Sol de Carvalho.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Realizado como minissérie para a televisão moçambicana TVM, a ficção tem como alvo uma juventude às voltas com questões típicas da idade, como namoro, casamento, diversão e ambição. Adiciona-se a esse quadro a aids, que irrompe na vida do trio principal de protagonistas. Num bairro modesto da cidade de Beira, em Moçambique, Alice (Amélia Luis) está dividida entre o interesse do esforçado jovem Camilo (Chifite Chaúque) e do sedutor, mas instável, Mariano (Besnev Matezo), seu ex-namorado e ainda pretendente. Este último conta com o apoio dos pais de Alice, enquanto Camilo não é visto com bons olhos. Não bastasse a indefinição da moça, ela descobre-se grávida e portadora do HIV. Para sustentar o formato de novela, o filme ainda enreda outros temas e personagens, como a quadrilha de contrabandistas com a qual Mariano colabora e a maternal dona de bar Constância (Ana Magaia).

 

BABY, BABY
(França, 2005, 3min37s e Alemanha, 2005-2006, 17 min)
Direção: Erik Vervroegen.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

Sucesso na Internet, o filme animado produzido pela ONG francesa AIDES, para incentivar o uso de preservativo, traz roteiro lúdico e criativo, e é uma peça rara de prevenção dirigida a mulheres jovens, população cada vez mais exposta ao risco de infecção pelo HIV em todo o mundo.

 

BAILÃO
(Brasil, 2009, 16 min)
Direção: Marcelo Caetano.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

A aids é, direta ou indiretamente, definidora na vida dos personagens deste curta, homossexuais maduros que assistiram ao surgimento do HIV e perderam amigos, parceiros ou conhecidos. O ponto de partida do filme é o endereço noturno do título, uma tradicional boate no centro de São Paulo frequentada por gays mais velhos. No formato de memória poética, que caminha até os anos 1940, alguns desses clientes relatam como lidavam com a orientação sexual num momento tabu, em que os homossexuais ficavam restritos a cinemas e outros poucos redutos da comunidade.

 

BASTA UM DIA
(Brasil, 2006, 40 min)
Direção: Vagner de Almeida.
Exibido na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

Lançado recentemente pela ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids), do mesmo diretor de Borboletas da Vida, o documentário aborda a vida de travestis e homossexuais da baixada fluminense que, entre a coragem e o medo, tentam, muitas vezes sem sucesso, sobreviver à dura realidade de violências impostas ao seu cotidiano.

 

BORBOLETAS DA VIDA
(Brasil, 2004, 38 min)
Direção: Vagner Almeida
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006).

Produzido em 2004 pela ABIA - Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids, com o apoio do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde da Unesco, o filme expõe a realidade de jovens homossexuais que vivem na periferia do Rio de Janeiro, sofrem os efeitos da pobreza e da miséria, mas não perdem sua identidade, dignidade e criatividade. São homossexuais, transformistas, borboletas da vida real brasileira. "Carregam a mulher na bolsa", experimentam as possibilidades e os limites do gênero e da sexualidade, enfrentam a discriminação de cabeça erguida, com coragem, e determinação. Lutam pelo direito de ser diferentes e exigem que a sua diferença seja respeitada.

 

CANÇÃO DE NINAR
(Jo Jo Laali – A Heartwrenching Lullaby, Índia, 2010, 40 min)
Direção: Sundeep.

Com uma das maiores populações do mundo, a Índia tem proporção equivalente de infectados pelo HIV. Segundo estimativa levantada à época deste filme, 2,3 milhões de pessoas são portadores do vírus. Cabe muitas vezes ao cinema tomar a frente na atitude de alerta e prevenção a doença, como alegado ao final quando se aponta a apatia e a resposta tardia das autoridades. O registro escolhido aqui é o ficcional, numa história básica em suas circunstâncias, mas com o objetivo de jogar luzes sobre vítimas nem tão lembradas numa condição equivocadamente dita masculina. Mãe e filho são os atingidos pelo mal quando Kalpana (Kalpana Pandit), profissional da dança clássica indiana, conhece o fotógrafo Akash (Akash Hora), que a conquista numa insistente perseguição com suas lentes. A relação engata até a jovem flagrar a traição do namorado, de quem engravida. Mãe solteira, descobrirá que o menino ainda criança tem o vírus da aids, e assim chega ao resultado de sua própria sorologia positiva. Kalpana se consola então com lembranças do passado do filho, a dança e numa atividade de esclarecimento da doença. O fato dos protagonistas utilizarem seus nomes reais, incluindo o médico Iswar Gilada, ligado a um conselho de luta contra a aids, mostrará não ser casual.

 

CARANDIRU
(Brasil, 2003, 146 min)
Direção: Hector Babenco.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006).

No caldeirão explosivo que detonou o massacre dos 111 presos do presídio paulistano, a aids se tornou uma das principais preocupações do médico infectologista Drauzio Varella. Os depoimentos colhidos por Varella na Casa de Detenção e publicados no best-seller Estação Carandiru serviram de base para o diretor Hector Babenco nesta produção de fôlego e elenco de estrelas. Perturbador e controverso, o filme aborda as formas de disseminação da doença, seja pelo uso de drogas ou pela promiscuidade sexual. São narrativas francas, como nas conversas de Varella (interpretado por Luiz Carlos Vasconcelos) com os detentos ou de humor involuntário, a exemplo da cena em que a cantora Rita Cadillac ensina uma atenta plateia a vestir a camisinha.

 

CARTÃO AMARELO
(Yellow Card, Zimbábue, 2000, 90 min)
Direção: John Riber.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

O longa-metragem do diretor John Riber, que assina o roteiro em parceria com Andrew Whaley, contempla a geração mais vulnerável ao vírus HIV na África. Quase um terço de soropositivos do continente tem idade entre 15 e 24 anos. Sexo sem camisinha, a gravidez precoce e inesperada, o aborto, além de demais doenças transmitidas sexualmente também são temas tratados neste filme. É nesse universo que encontraremos o jovem de 17 anos Tyiane (Leroy Gopal), jogador de futebol na periferia de Harare, capital do Zimbábue. Estudante exemplar e orgulho da família, ele é um herói local para as crianças e tipo popular entre as garotas. Uma delas é Linda (Ratidzo Mambo), que engravida dele. Mas o rapaz está mais interessado em Juliet (Kasamba Mkumba), jovem rica e envolvente, e rejeita a outra. Decepcionada, Tyiane terá que enfrentar as consequências em casa, na escola e no time, enquanto convive com um de seus melhores amigos que se descobre soropositivo.

 

CAZUZA - O TEMPO NÃO PARA
(Brasil, 2004, 100 min)
Direção: Sandra Werneck e Walter Carvalho.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006) e na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

Por certo o personagem mais emblemático dos primórdios da aids no Brasil. O cantor e compositor Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza (1958-1990), se tornou uma espécie de mártir da doença ao trazer seu longo tormento a público. Determinou, assim, uma maior preocupação e busca de informações. A nação acompanhou seu tratamento, naquela época fundamentado na descoberta do AZT, suas idas e vindas aos Estados Unidos e por fim chorou com a heroica mãe Lucinha Araújo. É no livro-depoimento dela que os diretores se basearam para esse tocante drama que acompanha o surgimento do grupo Barão Vermelho, a intensa rotina sexual, o apego às drogas do vocalista e a descoberta do vírus.

 

CERTAS COISAS
(Brasil, 2006, 19 min)
Direção: Claudio Maneja Jr.

Para fugir de sua dor e da solidão, Felipe cria um mundo particular onde consegue diferenciar as pessoas, com aspereza e poesia, por meio de lentes de estranhos óculos. Nesse curta-metragem, o preconceito, o medo de ficar só e a difícil tarefa de recomeçar são os desafios que o protagonista tem de enfrentar.

 

CICLOS DA VIDA - A história da aids no Malaui
(Lifecycles: a Story of AIDS in Malawi, Malawi, 2003, 52 min)
Direção: Sierra Bellows e Doug Karr.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

A rigor, não há muitas diferenças na epidemia de aids que assola as nações africanas, mas a dupla de diretores Sierra Bellows e Doug Karr toca em pontos essenciais nem sempre explorados. Ao percorrer durante oito meses o Malaui, onde morrem duzentas pessoas por dia infectadas pelo HIV, os realizadores lembram questões culturais e religiosas. Há o fato, por exemplo, de um homem ter várias esposas e não raro infectar todas, tragédia que se estende aos filhos. Outra preocupação das entidades de combate à doença está na tradição do povo de procurar um curandeiro antes mesmo de um hospital e acreditar na cura da doença. Médicos, líderes governamentais e religiosos, ativistas e vítimas do HIV dão seu depoimento com a música de Bobby McFerrin ao fundo.

 

CINCO HERÓIS
(5 Heroes of Aids in Africa, EUA/Africa, 2004, 60 min)
Direção: Neil Halloran.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

Neil Halloran, estudante de mídia digital na Universidade da Pensilvânia, dedicou-se ao documentário entre 2002 e 2004, depois de uma viagem de cinco meses à África. Seus heróis na batalha contra a proliferação do vírus HIV são pessoas comuns, alguns profissionais da área de saúde, outros voluntários, mas todos engajados em projetos alternativos à política pública. O jovem Mandla e a dona de casa Makazi estão a frente de projetos em bairros miseráveis da Cidade do Cabo, o pediatra Paul Roux trata de recém-nascidos soropositivos num grande hospital. Adelaide e o pai mantêm um projeto de conscientização e prevenção da aids.

 

  CIRANDA
(Brasil, 2007, 3 min)
Direção: Rafaela Dias
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

Uma menina de dez anos altera o cotidiano de dez pessoas, que passam a ter suas vidas interligadas por histórias em torno da aids.

 

CLARA E EU
(Clara et Moi, França, 2004, 86 min)
Direção: Arnaud Viard.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009) e na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Idealista e eternamente insatisfeito, Antoine tem 33 anos e está à procura de um grande amor, até que conhece Clara. O relacionamento dos dois passa por uma reviravolta quando os dois decidem, juntos, fazer o teste do HIV. Esta comédia romântica mostra que a moral da história é que vida pode não ser tão simples quanto parece, pois sempre há provas para as quais podemos não estar totalmente preparados.

 

CLUBE DOS CORAÇÕES PARTIDOS
(The Boken Hearts Club, EUA, 200, 94 min)
Direção: Greg Berlanti.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

O fantasma da aids, a solidão e o real valor da amizade entre homossexuais são os temas do filme de estreia do produtor e roteirista dos seriados Dawson's Creek e Everwood. Diretor e roteirista, Berlanti pretende fugir aos estereótipos enfocando um grupo de amigos que praticam softball. A história começa no aniversário do fotógrafo Dennys (Timothy Olyphant). Ao redor dele, gravitam, entre outros personagens, o revoltado saradão Benji (Zach Braff), o problemático estudante de psicologia Howie (Matt McGrath), o amargo Patrick (Ben Weber) e o veterano Jack (John Mahoney), dono de um restaurante onde todos se reúnem.

 

CORAÇÕES APAIXONADOS
(Playing By Heart, EUA, 1998, 120 min)
Direção: Willard Carroll.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

Histórias paralelas, todas com o tema amor, acontecem em Los Angeles e Chicago. O casal Paul (Sean Connery) e Hannah (Gena Rowlands) está junto há quarenta anos, mas passa por crises. Mildred (Ellen Burstyn) encontra Mark (Jay Mohr), seu filho que está morrendo de aids. Gracie (Madeleine Stowe) sempre trai o marido com Roger (Anthony Edwards), que também é casado. Meredith (Gillian Anderson), diretora de teatro, conhece e se apaixona por Trent (Jon Stewart). Joan (Angelina Jolie), uma extrovertida jovem, conhece Keenan (Ryan Phillippe), por quem se apaixona perdidamente, mas enquanto se mostra decidida em fazer qualquer coisa para conquistá-lo, ele teme, pois sua última namorada teve um fim trágico.

 

CRISTAL
(Meth, Estados Unidos, 2007, 79 min)
Direção: Todd Ahlberg.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

A partir das histórias e reflexões de uma dúzia de homens gays que vivem nos Estados Unidos e têm entre 21 e 50 anos, o documentário revela o fascínio e os riscos do cristal de metanfetamina, uma variante da anfetamina, usado especialmente para estimular o sexo, droga que ganhou popularidade, especialmente entre gays americanos.

 

CRÔNICA DE UMA CATÁSTROFE ANUNCIADA
(Chronique d'une Catastrophe Annoncée, EUA/ França, 2001, 52 min)
Direção: Philip Brooks.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

A epidemia da aids ameaça a humanidade, em especial o continente africano, mesmo depois de mais de 20 anos de existência da doença. Este documentário investiga quais as razões de indivíduos, instituições e governos não conseguirem combatê-la. Ao buscar na África e em outros pontos do mundo aqueles que se engajam na luta pela vida, o filme obriga um olhar mais próximo das realidades políticas, algumas vezes cínicas. Resta uma interrogação sobre a capacidade coletiva de crer num mundo igualitário e solidário.

 

DE MÃOS ATADAS
(Tied hands, Israel, 2006, cor, 90 min)
Direção: Dan Wolman.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Enquanto o filho bailarino (Ido Tadmor) agoniza trancado em seu quarto, sua mãe viúva (Gila Almagor) sai pela noite de Tel Aviv em busca da única coisa que ameniza o filho da dor provocada pela aids, a maconha. A tarefa não é fácil e gera vários incidentes, como a troca sem querer da erva por coentro numa boate frequentada por gays, ou a investida sem sucesso entre viciados. Em sua viagem noturna, ela começa a conhecer o universo em que o filho homossexual trafegava e assim reduz a distância entre eles.

 

DECLÍNIO DO IMPÉRIO AMERICANO
(Le Déclin De L'Empire Américain, Canadá, 1986, 101 min)
Direção: Denys Arcand.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

Antes mesmo de títulos fundamentais e realistas como Meu Querido Companheiro (1990) serem lançados, o canadense Denys Arcand (As Invasões Bárbaras) ousava ao sugerir o aparecimento de uma estranha moléstia da qual pouco ou nada se sabia. No cinema, não se falava sobre o assunto. A rápida cena em que o personagem homossexual Claude (Yves Jacques) urina sangue é inquietante o suficiente para fazer desse filme um precursor. Mais tarde, com uma amiga, Claude anuncia sua apreensão sobre o que está por vir. O drama é apenas uma das pontas da história, em que professores universitários se juntam para preparar um jantar, enquanto suas amigas, mulheres ou namoradas tagarelam na academia. No cardápio, discussões calorosas sobre amor, política, fidelidade e, claro, sexo. Doze anos depois, o diretor abordaria claramente a aids em Amor e Restos Humanos.

 

DEPOIS DAQUELE ENCONTRO
(Phir Milenge, Índia, 2004, 145 min)
Direção: Revathi Menon.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

É o primeiro título, lançado no país, que aborda a questão da aids. A presença de estrelas locais no elenco chamou a atenção e ajudou a popularizar o projeto, apoiado e elogiado pelo UNAIDS (Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids). Na primeira parte, a jovem e bem-sucedida publicitária Tamanna (Shilpa Shetty) reencontra um antigo amor e descobre que está infectada pelo HIV. Demitida, acredita que o dono da empresa a afastou devido à doença. Parte, então, para o tribunal. Temas como a transmissão do vírus, autoestima, discriminação e direitos humanos podem não ser novidades para o Ocidente, mas apontam indícios do pouco esclarecimento sobre a doença entre essa populosa nação.

 

DEFENDENDO A VERDADE - ROMPENDO O SILÊNCIO
(Standing-n-truth: breaking the silence, EUA, 2009, 75 min)
Direção: Tim Daniels.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Os negros representam 13% da população americana, mas quando se trata de infectados por HIV a porcentagem sobe para 51%. A situação alarmante é refletida por especialistas e depoentes de várias esferas, como a política governamental, com depoimento da congressista Maxine Waters, do escritor Michael Eric Dyson e da atriz Sheryl Lee Ralph. O documentário investiga como diferentes igrejas lidam com o problema da aids. Feito também com vozes anônimas, como homens gays ou um casal de lésbicas, o documentário traz um quadro abrangente e esclarecedor.

 

DIAS
(Giorni, Itália, 2001, 90 min)
Direção: Laura Muscardin.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006) e na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

Depois de filmes sobre os primeiros casos da doença, os dramas dos soropositivos e dos títulos engajados na conscientização e no sexo seguro, esta produção é uma das poucas a enfocar a convivência possível com o vírus HIV. O filme conta a história de Claudio (Thomas Trabacchi), um executivo gay bem-sucedido, com um relacionamento estável. Sua preocupação com a enfermidade não exige mais que o coquetel de medicamentos diário e um check-up mensal no hospital. O relativo bem-estar permite, inclusive, que ele se apaixone por um jovem garçom e dê uma reviravolta em sua vida.

 

DZI CROQUETTES
(Brasil, 2009, 110 min)
Direção: Tatiana Issa e Raphael Alvarez.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

O premiado documentário resgata a trajetória de um dos grupos mais irreverentes da cena nacional e internacional dos anos 70. Os Dzi Croquettes trabalhavam fazendo shows musicais debochados e contestadores, com números pautados pela liberdade, crítica social e pelo universo gay. Seus integrantes travestiam-se de mulher ou surgiam nos palcos quase nus. Mantinham barbas e deixavam as pernas peludas à mostra, e assim foram para a Europa. A carreira de sucesso chamou atenção de artistas como Liza Minelli, espécie de madrinha da trupe, que dá seu depoimento no filme. Junto com o esgotamento artístico natural de uma empreitada coletiva, que não chega a sobreviver incólume até a década de 80, vieram algumas tragédias. Além de três profissionais assassinados, a aids vitimou outros quatro, entre eles Lennie Dale (1934-1994), bailarino americano líder na formação do grupo ao lado de Wagner Ribeiro, e o cenógrafo Américo Issa, morto em 2001, pai da diretora Tatiana Issa. Parte de um conhecimento muito íntimo este retrato cativante, captado pelas vozes de celebridades como Ney Matogrosso e Marília Pêra, e de alguns de seus protagonistas, como Cláudio Tovar, Bayard Tonelli, Ciro Barcelos, Benedicto Lacerda e Rogério de Poly.

 

ESTADO DE NEGAÇÃO
(State of Denial, EUA, 2002, 86 min)
Direção: Elaine Epstein.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

O estado de negação aqui tanto pode valer para a reação mais imediata dos soropositivos ao se depararem com a descoberta do HIV, como para toda uma nação, no caso a África do Sul, cujo chefe maior à época da realização do filme simplesmente questionava o vírus como causador da aids. Foi preciso muita insistência e protestos de associações engajadas para tirá-lo do poder e implementar uma política de combate à doença. A problemática é ainda mais grave por se tratar de um país que hoje contabiliza cerca de cinco milhões de infectados, um dos quadros mais dramáticos no mundo.

 

ESTAMOS JUNTOS
(We Are Together, Inglaterra/África do Sul, 2006, 83 min)
Direção: Paul Taylor
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

Vencedor de 12 prêmios em diversos festivais nos quais já foi exibido, esse misto de documentário e musical foi filmado ao longo de três anos e conta a história notável e comovente de um grupo de crianças do Ágape Orphanage, um orfanato na África do Sul. Eles usam a música para superar a miséria e a perda. É uma história emocionante de orfandade e do passeio desses jovens e talentosos cantores e seus professores por Londres, cidade que visitam para uma série de concertos.

 

ESTÃO VOLTANDO AS FLORES
(Brasil, 2009, 51 min)
Direção: Ana Cristina Kleindienst, João Cotrim, Julia Alquéres, Natália Manczyk.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Trabalho de conclusão de curso de alunos de jornalismo da Fundação Casper Líbero, o documentário tem como foco os soropositivos com mais de 50 anos, uma faixa etária pouco lembrada quando se aborda a aids. Segundo pesquisa do Ministério da Saúde, realizada entre 1996 e 2006, de acordo com o filme, o número de soropositivos nesta faixa etária aumentou consideravelmente. O filme traça um perfil de cinco soropositivos com um perfil bastante distinto. Alguns vivendo solitários em casas de apoio, outros de classe mais altas, cercados de amor em casa. O filme registra o último depoimento de Norberto Bossolani, morto em novembro do ano passado, aos 77 anos. Coordenador da ONG Grupo pela Vidda, organizadora do Cinema Mostra Aids, Norberto vivia muito bem com seu companheiro e confidente, como mostra o documentário.

 

ESTÁVAMOS AQUI
(We Were Here, Estados Unidos, 2011, 90 min)
Direção: David Weissman.

O diretor do premiado documentário The Cockettes (2002), sobre o lendário e divertido grupo de transformistas da São Francisco dos anos 70, volta suas lentes agora para um fenômeno trágico na mesma cidade. Em co-direção com Bill Weber, David Weissman aborda o período de surgimento do vírus HIV e a expansão vertiginosa da doença numa das comunidades gays mais tradicionais dos Estados Unidos. Justamente pela grande concentração de homossexuais em torno de redutos simbólicos como a Castro Street, a aids fez entre o início dos anos 80 e 1994 mais de quinze mil vítimas. Com o surgimento das primeiras medicações, como o AZT, em três anos a onda de óbitos desceu de quase 1.600 casos para 422. A investigação da epidemia se dá por um farto material de arquivo e depoimentos de cinco personagens que sobreviveram a era mais sombria, alguns soropositivos, caso do artista plástico Daniel Goldstein. Como ele, que perdeu seu parceiro, todos viram amigos e familiares perecerem. Mas a enfermeira Eileen Glutzer assistiu a tudo de outra perspectiva, ao trabalhar no setor de um hospital que tratava os primeiros pacientes, todos homens, do chamado então “câncer gay”. Weissman oferece ainda uma perspectiva histórica daquela fase, como a atuação do militante Harvey Milk e da solidariedade das lésbicas e dos grupos de apoio.

 

ESTOU COM AIDS
(Brasil, 1985, 71 min)
Direção: David Cardoso.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

É o primeiro filme brasileiro que tem como foco a aids. O ator, diretor e produtor David Cardoso, figura central da chamada pornochanchada, se lançou no projeto no início da epidemia, quando o cenário ainda nebuloso sobre a doença permitia especulações e equívocos. Numa mistura de documentário e ficção, ele faz da imprensa seu ponto de partida. Ainda nesse momento, a descoberta da doença pela opinião pública muitas vezes coincidia com a revelação da homossexualidade da vítima. Uma das confusões geradas no período dizia respeito ao hemofílico, carimbado como gay. Direto no trato e sem subterfúgios, Cardoso entrevista artistas, políticos, esportistas e anônimos. Ao mesmo tempo, quadros dramáticos esboçam situações recorrentes, a exemplo do jovem do interior, que chega à cidade e se torna garoto de programa; da empregada doméstica (Débora Muniz, musa pornô), que aceita o sexo grupal proposto pelo patrão; do milionário casado e suas escapadas; e mesmo de uma criança soropositiva expulsa da escola. Sem esquecer sua origem, o diretor leva a discussão para um set da Boca do Lixo.

 

ESTRADA PARA A ESPERANÇA
(Road to Hope, Estados Unidos, 2005, 75 min)
Direção: Leslie Marie Cannon.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

A organização americana de combate ao HIV/Aids Hope’s Voice foi criada em 2004 por Todd Murray com o objetivo de esclarecer os jovens sobre o tema. No ano seguinte, uma campanha nacional com o apoio de diversas entidades e empresas incluiu uma turnê por 22 universidades de todo o país. Este documentário acompanha os primeiros quatro jovens voluntários encarregados de contar suas experiências como soropositivos aos alunos, além de Murray. Ao mesmo tempo em que são vistos em ação, Amira Hikin, Duane Quintana, Lantz Smith e Marvelyn Brown dão depoimento sobre seus conflitos pessoais com a doença, a descoberta da homossexualidade, a difícil relação com a família e a convivência com o HIV. Nos encontros com os estudantes, em vez de conselhos ou cuidados práticos, os palestrantes preferem um relato informal e uma conversa franca sobre o que vivenciam.

 

EU AMO ESSE HOMEM
(L´homme que j´aime, França, 1997, 87 min)
Direção: Stéphane Giusti.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004), na III Cinema Mostra Aids (2006) e na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

O drama romântico de Stéphane Giusti, realizado para TV, retrata com charme e simpatia a difícil "saída do armário", a paixão num meio reconhecidamente volátil e se transforma em um papo sério quando Lucas (Jean-Michel Portal), o assumido, revela ser soropositivo para o novo parceiro, Martin (Marcial Di Fonzo-Bo). O cenário é Marselha, no sul da França, onde os dois protagonistas trabalham numa escola de natação. Martin é o novo professor e atrai o interesse de Lucas. Mas além de tímido e fechado, o moço se relaciona com uma garota (Mathilde Seigner). O diretor Giusti aproveita para mostrar o engajamento da entidade Act Up e os protestos para a liberação, pelo sistema de saúde, dos coquetéis de tratamento.

 

FIGHT BACK, FIGHT AIDS: 15 Years Of Act Up
(Fight Back, Fight AIDS: 15 Years Of Act Up, EUA, 2002, 75 min)
Direção: James Wentzy.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

Entidade precursora e até hoje das mais influentes na luta contra a aids, a Act Up (Aids Coalition to Unleash Power) tem seus quinze anos de resistência relembrados nesse documentário. A realização amadora, a compilação acadêmica de imagens e discursos não tiram o fôlego do filme de James Wentzy, ele mesmo um ativista e soropositivo desde 1990. Fundado em Nova York, em 1987, o grupo foi responsável pelas primeiras e barulhentas passeatas em busca de apoio, respeito e, principalmente, mudança de política de governo. Protestos como a histórica marcha de 24 de março de 1987, em Wall Street, reivindicavam tratamento de saúde digno às vítimas e liberação de medicamentos para todos os doentes. Essas imagens estão presentes no filme, assim como personagens que colaboraram na transformação da mentalidade vigente, como o escritor Vito Russo.

 

FIGUEIRAS
(Fig Trees, Canadá, 2009, 104 min)
Direção: John Greyson.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

O filme mostra a luta dos ativistas Tim Maccaskell, de Toronto, e Zackie Achmat, de Capetown, ambos empenhados na batalha pelo acesso a medicamentos para tratamento da aids. Entrevistas documentais, discursos, conferências e manifestações são, segundo o diretor e roteirista, experimentados, desmontados e transformados em música. A ópera em questão executa inversões musicais e políticas na música e nas palavras do clássico de vanguarda de 1934, de Gertrude Stein, Quatro Santos em Três Atos.

 

FILADÉLFIA
(Philadelphia, EUA, 1993, 125 min)
Direção: Jonathan Demme
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

Em tom melodramático e pisando em ovos, Hollywood encontrou seu jeito para abordar até então um tema no mínimo indigesto para a indústria do cinema. E como atrair o grande público reconhecidamente conservador? A saída foi chamar um ator que é uma espécie de namoradinho da América, e abusar da emoção. Tom Hanks, vencedor do Oscar pelo papel, certamente dá dignidade ao advogado vítima da aids que processa sua firma por suposto preconceito. Acredita que tenha sido demitido por ser portador do vírus. Consegue cooptar um colega de menor calibre para defendê-lo (Denzel Washington), que vem carregado de preconceitos, medos etc. e terá de testar seus próprios limites. Com tantas justificativas, recalques e temores, o filme vira um novelão desbragado e hoje deve-se debater se é referência ou não na representação da doença pelo cinema. À época as entidades gays se incomodaram e muito com alguns preconceitos perpetrados pelo diretor Jonathan Demme.

 

FILHOS DE LWALA
(Honoring a Father’s Dream — Sons of Lwala, Estados Unidos/Quênia, 2011, 85 min)
Direção: Barry Simmons.

Os irmãos Milton e Fred Ochieng saíram do Quênia com a tarefa de estudar medicina nos Estados Unidos e voltar ao vilarejo onde nasceram para cuidar da saúde dos moradores. Tal empenho se deu depois de uma tragédia familiar, quando seus pais morreram em consequência da aids. A partir de 2008, já formados, eles iniciaram a concretização desse objetivo em forma de um pequeno hospital construído a base de doações. O documentário do jornalista de TV Barry Simmons acompanhou por dois anos a trajetória especialmente de Milton, no seu cotidiano na universidade, seu período de residência e os planos de construção do hospital, voltado acima de tudo ao tratamento das pessoas infectadas pelo HIV. Segundo um voluntário americano, 30% da população convive com o vírus. Nos primeiros oito meses de funcionamento, passaram pelas mãos dos jovens médicos 12 mil pacientes, e a ideia dos profissionais é ampliar o serviço para outros povoados do país africano. Ao final do filme, um making of dá detalhes da produção.

 

FILHOTE
(Bear Cub - Cachorro, EUA, 2004, 99 min)
Direção: Miguel Albaladejo.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006).

Homossexual assumido, o dentista Pedro (José Luis García Pérez) faz parte de um grupo de "ursos" - denominação da comunidade gay para os homens peludos e barbudos. Com uma vida sexual de alta rotatividade em Madri, Pedro muda seus hábitos diários quando é obrigado a tomar conta do pequeno sobrinho Bernardo (David Castillo), depois que a mãe do menino parte para a Índia. Embora a relação entre eles seja harmoniosa, a convivência não é vista com bons olhos pela avó paterna, que irá brigar pela custódia do neto. A aids acirra uma disputa calorosa na justiça.

 

FLORDELIS - BASTA UMA PALAVRA PARA MUDAR
(Brasil, 2009, 100 min)
Direção: Marco Antonio Ferraz e Anderson Correa.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Num misto de documentário e ficção, o filme conta a história real de Flordelis, professora criada na favela carioca do Jacarezinho, que passou a ajudar crianças e jovens a evitar a marginalidade. Enquanto a “mãe Flor” narra sua própria trajetória, que
inclui a fuga com sua prole adotada e a perseguição da polícia, atores famosos, como Reynaldo Giannechini, Déborah Secco, Letícia Spiller, Cauã Reymond, Marcelo Antony e Letícia Sabatella interpretam alguns dos personagens acolhidos por ela. Entre eles, um ex-líder de facção que vira advogado, um viciado em drogas regenerado, uma jovem milionária que testemunhou e quase sucumbiu a um acerto de contas do tráfico e a prostituta que adquiriu o vírus HIV.

 

FORA DO CONTROLE - AIDS NA AMÉRICA NEGRA
(Out of Control - Aids in Black America, Estados Unidos, 2006, 45 min)
Direção: Elizabeth Arledge.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

O respeitado jornalista americano Peter Jennings se dedicava ao especial de TV por ele idealizado, quando morreu de câncer em 2005. A equipe da rede ABC deu segmento ao projeto e manteve a passagem em que o âncora entrevista um grupo de negros soropositivos em Atlanta. A intenção aqui é revelar o quanto a população americana afrodescendente é mais suscetível ao vírus HIV, tese sustentada por estatísticas e depoimentos, além de reportagens em vários estados norte-americanos. Baseado numa pesquisa de 2003, o número de infectados pela doença no país contabilizava 1.039.000, sendo que desses a metade era de homens negros. A partir desse painel trágico, a investigação ouve representantes de entidades do governo, ONGs, penitenciárias – onde a distribuição de preservativos é proibida – e, especialmente, comunidades religiosas e seus principais líderes, já que eles são vozes influentes no esclarecimento da aids para os núcleos negros. Boas conversas informais, a exemplo do grupo de mulheres debatendo as razões dos homens serem reticentes a precauções básicas, complementam o formato tradicional de um programa para televisão.

 

GORETTI
(França/Ruanda, 2005, 14 min)
Direção: Diane Igirimbabazi.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

A protagonista do curta-metragem documental é Dushimimana Marie Goretti, garota de 16 anos que toma conta dos cinco irmãos pequenos num casebre em Ruanda. Chamados de “órfãos da aids”, eles perderam os pais, profissionais da escola local, em função da doença e agora tentam sobreviver. No cotidiano, as crianças sofrem com a falta de comida, o preconceito entre os colegas e ainda correm o risco de perder a casa. Um deles, Obed, já foi diagnosticado soropositivo. Enquanto Goretti dá seu depoimento, a câmera acompanha os personagens em brincadeiras, cantorias e se preparando para a aula.

 

HAKIM
(Alemanha, 2007, 15 min)
Direção: Ismail Sahin.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

Com passagens por vários festivais internacionais, esse curta-metragem conta a história do menino Hakim, de um ano. Ele é encontrado por um velho homem, numa casa de lama numa aldeia na África, ao lado de sua mãe, que está morta. Como tantas crianças africanas, Hakim perdeu seus pais para a aids e passa aos cuidados do educador local Aga, acostumado a receber crianças com baixa expectativa de vida. Com histórias e contos, ele consegue incitá-las a gostar mais da vida.

 

HOUSE OF LOVE
(EUA/Namíbia, 2001, 26 min)
Direção: Cecil Moller.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006) e na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

O curta-metragem integra a série documental de 33 títulos de Steps for the Future, uma espécie de mapeamento da aids no sul da África, hoje a região com maior incidência de soropositivos no mundo. O cenário é o pequeno porto Walvis Bay, na Namíbia, e as personagens são as prostitutas locais. Elas dependem das rápidas visitas dos marinheiros para sobreviver e contam ao diretor Cecil Moller os motivos que as levaram ao trabalho. Falam de amor, sexo, pecado e têm uma noção muito pessoal de redenção, enquanto o fantasma da aids ronda o cotidiano delas.

 

JANAÍNA DUTRA - UMA DAMA DE FERRO
(Brasil, 2011, 50 min)
Direção: Vagner de Almeida.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Janaína Dutra, ou Jaime Cesar Dutra Sampaio, nasceu em 1961 em Canindé, no interior do Ceará, e morreu em 2004, vítima de câncer de pulmão. Sua trajetória, rememorada pelo documentário, inclui a vontade de se tornar mulher, o uso dos primeiros hormônios já em Fortaleza, a rejeição dos familiares e o travestimento, quando ela passa a atuar na defesa dos direitos dos homossexuais e no esclarecimento da aids. Janaína estudou, formou-se advogada e foi a primeira travesti a conseguir uma carteira da OAB, que a reconhecia como Doutor Jaime. Janaína conta as discriminações que sofreu e seu pais e irmãos revelam o processo de aceitação e o respeito que hoje têm por ela.

 

JEANNE E O RAPAZ DOS SONHOS
(Jeanne et le Garçon Formidable, França, 1998, 98 min)
Direção: Olivier Ducastel e Jacques Martineau
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

Um musical híbrido, que mistura drama romântico e ativismo. A fórmula de intercalar canções aos diálogos remete ao clássico do cinema cantado Os Guarda-Chuvas do Amor (1964), do francês Jacques Demy. O filho do cineasta, Mathieu Demy, interpreta o jovem Olivier, ex-viciado em heroína e portador do vírus HIV. Depois de um encontro casual no metrô, Jeanne (Virginie Ledoyen), garota de muitos amores, apaixona-se pelo rapaz. Mas o relacionamento entra em crise quando a doença de Olivier progride. O filme mostra manifestações públicas dos ativistas do Act Up, organização de combate à doença, num momento em que a política governamental era precária e ainda eram mais limitadas as chance de sobrevivência para os infectados.

 

JESUS CHILDREN OF AMERICA
(EUA, 2005, 20 min)
Direção: Spike Lee.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006) e na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

O curta-metragem do polêmico diretor de Faça a Coisa Certa é parte do projeto Crianças Invisíveis, longa-metragem em sete capítulos que, com o apoio da Unicef, pretende dar um panorama do drama de meninos e meninas marginalizados ao redor do mundo. A visão de Spike Lee é uma das mais raivosas e menos condescendentes. Enfoca o tormento diário de Blanca (Hannah Hodson), uma garota do Brooklyn, em Nova York, que nasceu com o vírus HIV por conta de seus pais drogados. O cineasta mostra o preconceito das colegas e dos vizinhos de Blanca, mas vislumbra esperança na ajuda assistencial oferecida por entidades nos Estados Unidos.

 

JOBRIATH
(Jobriath A.D., Estados Unidos, 2012, 107 min)
Direção: Kieran Turner.

Em 1966, o jovem Bruce Wayne Campbell se mudou do Texas para Los Angeles, adotou o nome artístico Jobriath, uma contração em inglês dos personagens bíblicos Jó e Golias, e iniciou sua história como o primeiro músico de rock americano assumidamente gay. Ou como preferia seu empresário, “a primeira bicha do rock”. O tom pejorativo era proposital e serviu para alavancar uma milionária campanha de ascensão do novo ídolo fomentada por Jerry Brandt, profissional que descobriu Patti Smith, Barry Manilow e cuidava da carreira de Carly Simon. O documentário de Kieran Turner dá grande destaque a complicada relação entre Brandt e Jobriath, desde que este iniciou sua trajetória na primeira montagem do musical Hair até se tornar um representante do glam rock, com seu tipo andrógino, um dito David Bowie dos Estados Unidos. Músico talentoso na voz e no piano, ele assinou um contrato de 500 mil dólares com uma gravadora, considerado o mais lucrativo na época. Mas num momento de transformação da figura do homossexual, sua performance de trejeitos femininos e figurino apelativo não mais podiam concorrer com o novos músculos e bigodes. Jobriath mais uma vez se reinventa e na metade dos anos 70 torna-se Cole Berlin, um cantor de standards dos anos 20 e 30 de evidente inspiração. A guinada seguiria com algum sucesso não fosse a aids ter lhe abreviado a trajetória em 3 de agosto de 1983, aos 36 anos.

 

JUNTOS PELA VIDA
(Life Support, EUA, 2007, 88 min)
Direção: Nelson George.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

A presença da estrela negra Queen Latifah incrementa essa produção baseada numa história real e com fôlego dramático. Ela interpreta Ana, ex-viciada em drogas e soropositiva que se tornou uma ativista no alerta da aids pelas ruas do Brooklyn. Ana tenta equilibrar uma delicada equação entre a nova família, formada por seu segundo marido, a caçula, e a pós- adolescente Kelly, filha do primeiro casamento, que cresceu com a avó depois que a mãe perdeu a guarda. As três mulheres vivem às turras até que a necessidade de ajudar um amigo de Kelly, um jovem com HIV abandonado à própria sorte, serve de pretexto para um possível acerto de contas.

 

KIDS
(Kids, EUA, 1995, 90 min)
Direção: Larry Clark.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

Perturbador cronista da juventude americana, Larry Clark explodiu no cinema independente americano com este impactante retrato de adolescentes envolvidos com drogas e sexo inseguro. Para matar o tempo ocioso numa Nova York violenta, eles divertem-se fumando maconha e transando sem camisinha. Até que uma personagem resolve fazer o teste do HIV e descobre-se portadora do vírus da aids. Abalada, ela sai pelas ruas à procura do rapaz que possivelmente a infectou.

 

LUCKY
(França/África do Sul/Inglaterra, 2005, 20 min)
Direção: Avie Luthra.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

Lucky é um garoto órfão sul-africano que vive com HIV e sonha em sair de seu vilarejo de etnia zulu para Durban, uma das grandes cidades do país. Enquanto isso, ele aprende muito sobre a vida ao ter um inesperado encontro com uma vizinha indiana. Além do tema da aids, o filme também aborda o delicado universo de convivência entre o povo sul-africano e os imigrantes de origem hindu com seu rigoroso sistema de castas.

 

MAIS PODEROSO QUE A AIDS
(Greater: defeating aids, Itália, 2009, 34 min)
Direção: Emmanuel Exitu.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

O documentário conta a trajetória do Meeting Point, um revolucionário projeto de luta contra a aids criado por Rose Busingye, uma enfermeira de Kampala, Uganda. O fio condutor é a simplicidade com que órfãos e mulheres acolhidas por Rose e pelo projeto dançam, choram, falam de si, da doença e da vitória sobre a aids. A narração mostra um povo interessado e comovido pela realidade e pela determinação de lutar pela vida.

 

MANGOSTIM: HIV/AIDS NA MALÁSIA
(Mangosteen – HIV/Aids in Malaysia Malásia, 2006, 14 min)
Direção: Gregory Pacificar, Alzo Slade.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Até o final de 2001, contabilizava-se na Malásia 5.500 crianças órfãs em função das mortes por HIV. As mães, em muitos casos, adquiriram o vírus de seus próprios parceiros. São esses dois grupos, as mulheres e seus filhos, os alvos desse documentário pelas vozes de três ativistas mulheres. Especialistas e pessoas comuns falam sobre a relação com a doença, revelando ainda equívocos, a exemplo do rapaz que acredita ser necessário apenas evitar se relacionar com prostitutas para não correr riscos.

 

MÁSCARAS
(Brasil, 2011, 45 min)
Direção: Vagner de Almeida.

O título deste média-metragem documental se presta a um duplo sentido. Durante uma oficina de confecção de máscaras na sede da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids, a Abia, vários personagens soropositivos dão seu depoimento acerca da descoberta da doença, o impacto sobre suas vidas e como convivem com ela. A maioria aponta a necessidade de esconder da sociedade sua condição, o que remete a outra ideia de máscara, num silêncio que lhes permite a convivência. São vários casos, em diversas faixas etárias e períodos de transmissão do HIV, a exemplo daqueles vitimados nos anos 80 ou mais recentemente. As razões são conhecidas, como sexo com vários parceiros e sem preservativo. Muitos surgem na tela e assinam seu nome completo para falar de família, relacionamentos afetivos, medicamentos e estigma. Poucos preferem o anonimato. Enquanto contam suas histórias, especialistas como o antropólogo Richard Parker, presidente da Abia, traçam um panorama da discriminação. O filme de Vagner de Almeida, também ligado a entidade e diretor de Janaína Dutra – Uma Dama de Ferro, já exibido pelo Cinema Mostra Aids, é dedicado a Tácio Souza. Em 2010, o cabeleireiro e personagem do documentário foi assassinado em Niterói, supostamente por um rapaz com quem se relacionava.

 

MATRACA E O POVO INVISÍVEL
(Brasil, 2006, 37 min)
Direção: Eduardo Reginato e Marcus Vinicius Campos
Exibido na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

Dizem que o palhaço, além de ser um perfeito idiota, é um estorvo para o sistema social. Sem pretender questionar esta verdade, Matraca e o Povo Invisível mistura realidade, gentilezas e diálogos entre um palhaço músico, população de rua e profissionais do sexo. O palhaço tem de ir onde o povo está e o trabalhador da saúde também. A rua torna-se o picadeiro das brincadeiras. A alegria é fundamental para a saúde!

 

MEU AMIGO CLAUDIA
(Brasil, 2009, 87 min)
Direção: Dácio Pinheiro.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Claudia Wonder (1955-2010) foi uma das travestis mais conhecidas do cenário nacional. Quebrou tabus desde que passou a atuar como artista e ativista na São Paulo dos anos 70, a exemplo dos papéis em filmes da pornochanchada e de sexo explícito. Títulos como Eu Te Amo, de Arnaldo Jabor, legitimaram seu pioneirismo. Também foi a primeira de sua classe a posar nua para uma revista masculina e a tirar a roupa no teatro. O documentário esmiúça sua vida desde o momento em que, ainda como Marco Antonio Abrão, filho de pais jovens e criado pelos tios, começa a se produzir aos 15 anos. O surgimento da aids atravessa seu caminho. Até o fim da sua vida, dedicou-se ao Centro de Referência da Diversidade, instituição administrada pelo Grupo Pela Vidda. Além de entrevistas com a protagonista, há depoimentos de artistas como Grace Gianoukas e Glauco Mattoso. O filme também relembra Caio Fernando Abreu, escritor e grande incentivador que assinou um artigo para jornal intitulado “Meu Amigo Claudia”.

 

MEU QUERIDO COMPANHEIRO
(Longtime Companion, EUA, 1990, 96 min)
Direção: Norman Rene.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

Uma festa de praia animada e liberadíssima em Fire Island, nos anos 80, é definidora para a vida de um grupo de gays nova-iorquinos. Depois dela, o estranhamento, a preocupação e finalmente o pânico dão início à era da aids neste que é o primeiro e até hoje um dos mais humanos e tocantes dramas documentais sobre a doença. Os personagens vividos por Campbell Scott e Stephen Caffrey se conhecem nos tempos de despreocupação e liberalidade para logo depois se amedrontarem com as primeiras notícias de jornal. Não passará muito tempo até que amigos próximos do casal apareçam seriamente doentes.

 

MINHA VIDA NA DISCOTECA
(The Godfather Of Disco, Estados Unidos, 84 min)
Direção: Gene Graham.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

Apresentado como um documentário musical, o filme se baseia na autobiografia de Mel Cheren, Minha Vida (My Life), para mostrar ascensão e queda da música disco nos anos 1970, em Nova York. O filme registra o impacto da descoberta da aids e da propagação do HIV no mundo da discoteca. Traz ainda o trabalho e a garra do ativista Mel, também produtor executivo do filme, que usa a música para lutar contra a aids e promover o trabalho voluntário com atuação determinante na defesa dos direitos gay.

 

MISS HIV
(Miss HIV, Estados Unidos, 2007, 88 min)
Direção: Jim Hanon.

Com o objetivo de diminuir o estigma para mulheres portadoras do vírus HIV, uma entidade em Botswana organizou um concurso de miss com belas jovens infectadas e que sobrevivem bem a doença. A iniciativa é pretexto neste documentário para dar conta das perspectivas sempre sombrias da disseminação da aids no continente africano, no caso entre países subsaarianos. Vale a pena rever estatísticas do momento da produção há cinco anos para notar que a situação dramática não se alterou, se não piorou. Em Botswana, a prevalência era de 10% da população em 1992. Mais de dez anos depois, subiu para 24% entre adultos de 15 a 49 anos, porcentagem que ainda persiste. Outro caso estudado é o de Uganda, país que apelou a uma política de abstinência aliada ao uso de preservativo para baixar o índice de propagação. Especialistas ouvidos criticam tanto o argumento, que tolhe a liberdade do indivíduo e especialmente vitima a mulher, como acusam distorção dos números pelo governo. Enquanto jovens locais falam de sua condição, corre um grande congresso em Toronto no Canadá onde se discutem medidas hoje adotadas.

 

NO LIMITE - SEIS CAPÍTULOS SOBRE A AIDS NA UCRÂNIA
(Am Rande – Sechs Kapitel über Aids in der Ukraine, Alemanha/Ucrânia, 2006, 105 min)
Direção: Karsten Hein.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Na ex-república soviética da Ucrânia, um por cento da população está infectado pelo vírus HIV, o que representa meio milhão de pessoas. O documentário de produção alemã contempla o leste do país, onde estão cidades como Donezk, e registra como principais vítimas os dependente de drogas, além de prostitutas e crianças. Uma tese de base social justifica boa parte do alastramento da doença, na medida em que o fim do bloco socialista gerou desemprego, miséria e principalmente deixou muitos cidadãos à deriva, sem esperança e, portanto, presas fáceis dos tóxicos pesados. Entre esses está a chamada “schirka”, espécie de ópio que pode ser preparado em casa. O filme mostra também a ação das milícias, que atuam na distribuição das drogas, a corrupção política e o alto índice de alcoolismo da população.

 

NOITES FELINAS
(Les Nuits Fauves, França, 1992, 149 min)
Direção: Cyril Collard.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

Bissexual e soropositivo, Cyril Collard (1957-1993) contou primeiro em livro homônimo (e lançado no Brasil) suas aventuras sexuais numa Paris soturna, revelando uma atividade promíscua quando a aids já fazia suas vítimas. Em seguida, veio a adaptação para o cinema, a primeira na França a falar abertamente sobre a doença. Collard dirigiu o filme, assinou o roteiro em parceria e a trilha sonora e, claro, representou a si mesmo na tela como Jean. O filme é longo, tortuoso e mais se parece com uma autorrepresentação hedonista. Jean, ou Cyril, demonstra uma inabalável crença na diversidade (e pelo apetite) sexual. Nem a descoberta de que é portador do vírus HIV separa-o de seus parceiros constantes, uma atriz (Romane Bohringer) e um amante latino (Carlos López), e da busca por novas conquistas nos becos da cidade. Num reconhecimento polêmico, a academia francesa premiou o trabalho com três César (o Oscar francês), inclusive de melhor filme, três dias depois da morte de Collard.

 

NÓS SOMOS PAPAIS
(We Are Dad, EUA, 2005, 68 min)
Direção: Michel Horvat.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

O universo das crianças que vivem com HIV une-se neste documentário ao tema controverso da adoção por homossexuais. Os personagens são Roger, Steven e os cinco bebês infectados pelo HIV, que o casal acolheu em diferentes momentos e cria há 17 anos. Ex-enfermeiros da ala de pediatria de um hospital em Miami, eles acompanharam o drama desses recém-nascidos abandonados e deram-lhes um lar, enfrentando não só o preconceito de sua opção sexual e da aids, mas também racial. A batalha maior, no entanto, não é a exigente rotina pelo conforto e saúde das crianças, mas a que se dá na esfera legal, já que o estado da Flórida não reconhece o direito de adoção aos gays. Na tentativa de dar andamento a um novo processo na justiça americana, a família muda-se para o estado do Oregon.

 

O AUTO DA CAMISINHA
(Brasil, 2009, 49 min)
Direção: Clébio Viriato Ribeiro
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Com assumida proposta educativa, o média-metragem lança mão do formato de “auto”, ou seja, de texto poético teatral, além de criatividade e bom-humor, para abordar a questão do uso da camisinha. O diretor cearense Clébio Viriato Ribeiro adaptou obra do conterrâneo José Mapurunga, já apresentada por ele no teatro, e somou ainda recursos de animação e fantasia. Na pequena cidade de Juatama, os moradores se preparam para receber na festa de São João o respeitado estudioso Quarto Bezorro (Carri Costa), especialista que irá decidir se o vilarejo se tornará ou não Patrimônio do Folclore Mundial. A programação do evento inclui a montagem de uma peça com os personagens Benedito (Brasilino Freitas) e Lionor (Nadia Aguiar), fogosa atriz e talento múltiplo local por quem logo o visitante se interessa. Em cena acontece o embate do casal, ele disposto a tudo para levá-la para cama e ela determinada a só ceder se o dito usar camisinha. Sem entender o que é o tal objeto, Benedito procura a costureira e seu padrinho (participação especial de Chico Anysio) para pedir a eles explicações, momentos em que a câmera abandona o pequeno palco e mistura a “realidade” do filme com o teatro. O protagonista ainda se verá dividido entre a tentação do diabo e os conselhos de seu anjo da guarda, este numa hilária participação de Gero Camilo.

 

O CASO TIRIYÓ
(Brasil, 1998,13 min)
Direção: Vincent Carelli / Estevão Nunes.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

Na tribo dos Tiriyó, no Pará, quase na divisa com o Suriname, cerca de mil índios se dividem em várias aldeias dispersas. Os Tiriyó andam muito e mantêm contato permanente não só entre si, mas com tribos vizinhas amigas, como os Wayâna e Xarúma, assim como com a civilização branca. Também por isso os Tiriyó não sabem exatamente como a aids chegou à comunidade indígena. Neste documentário, eles levantam hipóteses de como a infecção pelo HIV, até então desconhecida por eles, atingiu vários índios. O vídeo integra o programa Prevenção das DST e Aids entre os Povos Indígenas mantido pela Vídeo nas Aldeias, ONG que tem um importante acervo de imagens sobre os povos indígenas no Brasil e já produziu uma coleção de mais de 70 filmes, muitos deles premiados, inclusive fora do país.

 

O DIA DO RESULTADO
(Testing Diaries, Inglaterra, 2007, 30 min)
Direção: Kess Bohan, Yonni Usiskins e Goetz Werner.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

Apresentado pelos integrantes da banda americana de pop punk Good Charlotte, o filme revela as vidas de três jovens. Sajan, Cynthia e Akila, que vivem na Índia, na Jamaica e no Ghana, e decidem fazer o teste do HIV. O filme mostra o medo, a incerteza, a necessidade de realizar o exame e a apreensão na hora de saber o resultado. O documentário acaba por encorajar as pessoas a refletirem sobre os seus comportamentos e a tomarem as rédeas de suas próprias vidas.

 

O DIA EM QUE MEU DEUS MORREU
(The Day my God Died, EUA, 2003, 70 min)
Direção: Andrew Levine.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006) e na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

O diretor americano Andrew Levine já havia explorado anteriormente, num curta-metragem, o tema do tráfico de meninas do Nepal para a Índia. Ele mantém o mesmo foco neste novo filme documental e mergulha com mais detalhes no bem organizado e violento sistema de escravidão que atinge centenas de garotas, futuras prostitutas nos apertados e apinhados bordéis da antiga Bombaim, atual Mumbai. Entre as muitas crueldades que aguardam as recém-chegadas, do estupro a torturas físicas, está um universo de expansão da aids que chega a 80% entre as jovens. A câmera segue a trajetória de cinco delas, inclusive de uma que conseguiu escapar durante a viagem e passou a ajudar as colegas na fronteira. O filme também mostra o trabalho de organizações humanitárias, o que também explica a adesão de estrelas do cinema ao projeto de Levine, a exemplo de Tim Robbins e Winona Ryder, responsáveis pela narração.

 

O EVENTO
(The Event, EUA, 2003, 110 min)
Direção: Thom Fitzgerald.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

Infectado pelo vírus HIV em 2000, Matt (Don Mckeller) decide abreviar seu sofrimento e opta pelo suicídio. Os amigos mais próximos oferecem a ele uma festa de despedida e em seguida assistem a sua morte. Passam, assim, a ser cúmplices do ato final e suspeitos para uma promotora de Manhattan, Nick (Parker Posey), que investiga o caso. A suspeita maior recai sobre Brian (Brent Carver), melhor amigo de Matt e diretor de uma instituição de ajuda a soropositivos. Mas a investigadora também confronta familiares de Matt, como as irmãs e sua mãe (Olympia Dukakis).

 

O INCÊNDIO
(The Bushfire, Quênia, 2001, 60 min)
Direção: Stephen Makau
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Essa ficção fala de modo direto e didático aos jovens sobre a proliferação do HIV num país africano pobre e carente de informações como o Quênia. Sua protagonista é Nadi, garota que acaba de se formar no colégio com excelentes resultados e vista pelos pais como a esperança para tirá-los da miséria. Nadi sabe da responsabilidade e sonha em ser piloto. Uma possibilidade de começar a construir o futuro aparece com a colega de escola Tabu. Jovem ativa sexualmente e com muitos namorados, ela se dá conta que pode ganhar dinheiro com o corpo e acaba contraindo o HIV do pastor local. Enquanto continua a manter relações sexuais indiscriminadamente, Tabu atrai Nadi para uma cilada com dois homens, fingindo se tratar apenas de um passeio. Em meio a ação dramática, o filme questiona a postura nem sempre séria de algumas instituições no que se refere à aids.

 

O JARDIM DO OUTRO HOMEM
(Le Jardin d´ um Autre Homme, Moçambique/França, 2006, 80 min)
Direção: Sol de Carvalho.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009) e na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Aos 19 anos, Sofia vive num subúrbio pobre de Maputo, em Moçambique, onde passa diariamente por enormes dificuldades para prosseguir os estudos, única alternativa para chegar à universidade e realizar seu grande sonho: ser médica. Os obstáculos da jovem aumentam, sobretudo quando ela se percebe vítima de assédio por parte de um professor, possivelmente infectado com o HIV. Ele não hesita ao manipular o resultado do exame para conseguir, a qualquer preço, o que deseja.

 

O JARDINEIRO FIEL
(The Constant Gardener, Inglaterra/Alemanha, 2005, 129 min)
Direção: Fernando Meirelles.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006).

Coube ao diretor paulistano de Cidade de Deus levar às telas a adaptação do polêmico livro homônimo de John le Carré. Em sua primeira produção estrangeira, Meirelles mergulha fundo na investigação que leva o diplomata inglês Justin Quayle (Ralph Fiennes) a esclarecer, no Quênia, o misterioso assassinato de sua mulher, Tessa (Rachel Weisz, premiada com o Oscar). Tessa era uma ativista política e andava às voltas com uma denúncia muito séria: a manipulação das indústrias farmacêuticas para testar drogas experimentais em africanos portadores do vírus HIV.

 

O OUTRO LADO
(Brasil, 2009, 10 min)
Direção: Doulgas Drumond e Heitor Werneck.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

Produzido pelo Casarão Brasil, uma associação voltada para comunidade LGBT, o filme relata com sensibilidade a vida e as desventuras de moradores de rua homossexuais na cidade de São Paulo, população vulnerável não só à infecção pelo HIV e à aids, mas também a diversos tipos de violência e violação de direitos de cidadania.

 

O OUTRO LADO DA AIDS
(The Other Side of Aids, EUA, 2004, 87 min)
Direção: Robin Scovill.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006).

A premissa deste documentário é controversa e causou alarde nos festivais em que foi exibido. O diretor Robin Scovill explora a teoria de que o vírus HIV não é o agente causador da aids. Como argumento inicial, ele traz o exemplo da mulher Christine Maggiore, soropositiva que se mantém saudável desde 1992 sem tomar medicamentos. Cita, inclusive, que os dois filhos do casal, amamentados pela mãe, também não foram medicados e mantêm-se imunes à doença. O filme busca depoimentos semelhantes de mais dez adultos infectados, alguns sob efeito dos coquetéis, outros não. São apresentados também casos de crianças que se tornaram alvo de disputas de pais soropositivos e a Justiça. São ouvidos ainda especialistas, médicos e políticos responsáveis pelas ações governamentais. Até a banda Foo Fighters, responsável pela trilha sonora, também dá informações alternativas sobre a aids.

 

O PRAZO FINAL
(The 24th Day, EUA, 2004, 97 min)
Direção: Tony Piccirillo.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006) e na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

Em thriller de suspense de Hollywood, encontram-se o metrossexual Tom (Scott Speedman) e o aspirante a cineasta Dan (James Marsden). O primeiro leva o novo conhecido para seu apartamento e lá confidencia o relacionamento no passado com um gay soropositivo que o infectou. Tom acredita que Dan foi esse parceiro. Aprisiona-o e munido de uma amostra do sangue da vítima ameaça: se o resultado do teste for positivo, ele morre.

 

O PRESENTE
(The Gift, EUA, 2002, 62 min)
Direção: Louise Hogarth.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004), na III Cinema Mostra Aids (2006) e na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

Bug chasers, gift givers, convertion party, barebacking eram expressões restritas a uma parcela da comunidade gay até o momento em que a diretora Louise Hogarth as trouxe a público nesse controverso documentário. The gift, ou “o presente”, é o vírus HIV. Bug Chasers são aqueles parceiros que querem voluntariamente ser infectados pelo vírus e gift givers são os soropositivos e "doadores" em potencial. Para consumar a transmissão do HIV, os interessados marcam encontro, em geral por sites especializados, nas chamadas festas de conversão. Eles acreditam que ao disseminar a aids e torná-la a regra, não a exceção, estarão poupando a si mesmos e a comunidade do medo da infecção e das preocupações com o sexo seguro. Há depoimentos de soropositivos ativos, de quem se infectou propositalmente, de grupos de terapia e demais envolvidos. São vozes polêmicas que surpreendem mesmo aqueles representantes mais engajados e bem informados do universo homossexual.

 

O PRESIDENTE TEM AIDS?
(The President has aids?, Haiti, 2006, 100 min)
Direção: Arnold Antonin.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

Dao (Jimmy Jean-Louis, do fenômeno televisivo Heróis) é a maior estrela de cinema do Haiti. Ele convive com mulheres aos seus pés e homens que o invejam descaradamente. Com uma vida repleta de sexo, drogas e rock’n’roll, só não consegue superar o medo e o risco de estar doente, o que ameaça sua carreira. Apesar da pressão do seu agente, Dao se recusa a fazer teste do HIV e passa a frequentar rituais e a igreja à espera de um milagre. Num de seus concertos, resgata e se apaixona por Nina (Jessica Geneus), alvo das investidas de Larieux, um homem de negócios rico e poderoso, com quem a mãe de Nina quer que ela se case. O romance entre Dao e Nina floresce e Larieux prepara a sua vingança.

 

O TOQUE DO TAMBOR
(Beat the Drum, África do Sul-EUA, 2003, 114 min)
Direção: David Hickson.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

Num vilarejo pobre da África do Sul, uma estranha doença está dizimando os habitantes, que encaram o problema como maldição e tentam combatê-lo com feitiçaria. Orfão de mãe, o garoto Musa (Junior Singo) vê o pai agonizar no leito e decide partir para Joanesburgo, a maior cidade do país, a procura do tio. O caminhoneiro e pai de família que dá carona ao garoto tem o hábito de fazer sexo com prostitutas e recusa-se a usar camisinha tanto com elas como com a mulher. Seu patrão, representante do clã branco na história, começa a testemunhar a tragédia da doença ao ver seus funcionários com sintomas desconhecidos. Mas o cenário mais desolador está nas ruas. Musa conhecerá moradores miseráveis de perto. Com a experiência, ele tentará avisar seus conterrâneos da verdadeira razão das mortes locais.

 

O UNIVERSO DE KEITH HARRING
(The universe of keith harring, Itália/França, 2008, cor, 90 min)
Direção: Christina Clausen.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

A mesma atitude generosa que moveu Keith Haring (1958-1990) em sua arte, também valeu para sua atuação no esclarecimento e nas atividades de prevenção a aids depois que o americano se descobriu soropositivo. Inspirado pela ideia da larga reprodução artística e acessibilidade, Haring propagou inicialmente sua arte gráfica numa forma similar de grafite em muros e desenhando com giz nas paredes do metrô da Nova York dos anos 80. O documentário conta a trajetória do artista, inclusive destacando suas passagens pelo Brasil, com participação na Bienal de São Paulo e em um show ao vivo de Ney Matogrosso, quando grafitou um painel. Amigos e admiradores como Yoko Ono, o fotógrafo David LaChapelle e o coreógrafo Bill T. Jones dão depoimentos.

 

OVO
(Alemanha, 2005-2006, 17 min)
Direção: Michael Brynntrup.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

Christoph Josten, ou Ovo Maltine, morreu em 8 de fevereiro de 2005, em Berlim, onze semanas depois de ser diagnosticado com um câncer linfático. A lendária drag queen sobreviveu ao vírus HIV por treze anos. Dedicou-se a causas, como a ajuda a gays vítimas de todo tipo de agressão, a legalização da maconha, o reconhecimento da prostituição como profissão, a visibilidade dos transgêneros, a eventos em benefício a pessoas que vivem com HIV e a entidades como Act Up.

 

PACIENTE ZERO
(Zero Patience, Canadá, 1993, 100 min)
Direção: John Greyson.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

Com um tom francamente cômico e irreverente, e em pique de musical, a trama vai atrás da suposta primeira vítima do vírus HIV, um comissário de bordo franco-canadense que ajudou a disseminar a doença pelas saunas de São Francisco. O personagem realmente teria existido, mas no filme reaparece nos tempos atuais como um fantasma (Normand Fauteux). Disposto a rever sua fama, ele percorre os cenários mais estranhos e conhece os personagens mais estapafúrdios, da atriz Barbra Streisand e do dramaturgo Bertolt Brecht ao explorador inglês Sir Richard Francis Burton. Igualmente transplantado do século XIX, Burton prepara uma exposição sobre aids num Museu de História Natural e é abordado pelo inesperado visitante. Machista, acabará cedendo aos encantos do fantasma.

 

PANDEMIA: ENFRENTANDO A AIDS
(Pandemic: Facing Aids, EUA, 2003, 113 min)
Direção: Rory Kennedy.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006) e na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

Co-produzida pela HBO, a série em cinco capítulos explora a luta de pessoas contra a aids em cinco países distintos. Em Uganda, na África, onde há treze milhões de órfãos, o drama é das crianças James e Jessica. Portadores do HIV, o casal de indianos Nagaraj e Bhanu espera seu primeiro filho. No Brasil, um relato de esperança de Alex, que consegue gratuitamente do governo os remédios caríssimos para seu tratamento. Na Tailândia, a prostituta Lek recebe sua sentença de morte num hospital. Na Rússia, que tem um dos programas de prevenção mais fracos do mundo, o casal de ativistas Lena e Sergei batalha por campanhas eficazes. Com trilha sonora assinada por Philip Glass, o filme é narrado pelo ator Danny Glover e pelo astro Elton John.

 

PAPEL NÃO EMBRULHA BRASAS
(Le Papier Ne Peut pas Envelopper la Braise, França/Camboja, 2006, 90 min)
Direção: Rithy Panh.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Num conjunto habitacional degradado de Phnom Penh, capital do Camboja, convivem garotas que vieram de pequenas aldeias para se prostituir. O cotidiano delas à luz do dia, antes de partirem para o trabalho nas ruas, é acompanhado pela câmera do cambojano radicado em Paris Rithy Pahn. Ele registra o cotidiano marcado por atitudes recorrentes, como uma refeição ou o balanço financeiro da noite anterior, e principalmente as conversas que mostram as dificuldades e amarguras das moças. São temas como a saudade de casa, os maus-tratos dos clientes, as brigas com a cafetina e o medo das doenças, especialmente a aids, que já vitima uma colega. Mas a franqueza com que se mostram para as lentes faz das jovens e suas vidas quase uma ficção trágica, também assombrada pelo regime de horror do Khmer Vermelho, partido comunista que atuou no país e perpetrou massacres.

 

PARENTE
(Brasil, 2011, 20 min)
Direção: Aldemar Matias.

Um olhar raro sobre as comunidades indígenas no que se refere as doenças sexualmente transmissíveis. A primeira surpresa para o espectador comum nesta produção documental do diretor Aldemar Matias e a pesquisadora Adele Benzakem talvez seja a existência já corriqueira do vírus HIV entre os índios. No caso, duas etnias estão no foco, os ticuna, em aldeia amazonense situada na região de Belém do Solimões, próximo a Tabatinga, e os ianomâmi, em um agrupamento localizado em Pixanahab, no Alto Alegre, em Roraima. Acompanha-se a visita de uma equipe de saúde que realiza exames rápidos para o HIV e a sífilis, além de palestras educativas de como reconhecer sintomas e usar preservativo. Os dados mais contundentes, no entanto, saem dos depoimentos dos próprios “parentes”, ou seja, as pessoas da mesma comunidade, e dão conta do preconceito, da desinformação ou da postura moral quanto aos relacionamentos. É o caso do jovem gay soropositivo que lamenta perturbar a família, o homem já maduro que imagina poder contrair a doença só por sentar no mesmo lugar que um doente, e outro índio que assume se relacionar fora do casamento devido a longos períodos fora de casa, mas diz não esperar o mesmo da mulher.

 

PEDRO
(EUA, 2008, cor, 90 min)
Direção: Nick Oceano.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010) e na VII Cinema Mostra Aids (2011).

A história verídica dramatizada com atores, o que se convencionou chamar “docudrama”, conta a trajetória do cubano Pedro Zamora (1972-1994), o primeiro homossexual soropositivo a participar de um reality show na televisão americana. Em 1994, a audiência da MTV acompanhou os desdobramentos de uma nova temporada do programa The Real World, encenado numa casa em São Francisco, na qual jovens conviviam. Ao assumir sua doença, ainda em fase inicial, e discutir sobre ela abertamente no ar, Zamora (interpretado por Alex Loynaz) se tornou celebridade. A fama intensificou seu papel de ativista e educador em prol do esclarecimento da aids em todo país. O filme mostra a trajetória do caçula de uma numerosa família em Cuba, a mudança para Miami e a descoberta da homossexualidade e do HIV.

 

PEQUENOS GUERREIROS - NASCIDOS COM HIV
(Little Warriors, EUA, 2003, 65 min)
Direção: Ash Baron Cohen.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006) e na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

Dillon Card, Bert e Sophia Ramirez são alguns dos jovens entrevistados neste documentário, entre crianças e adolescentes, que convivem muito bem com a aids. Exibido na 29ª Mostra BR de Cinema, no ano passado, é narrado pelo ator James Woods e tem um tom humorado, reconfortante, para um tema tão árduo. Pode ser um estimulante contraponto à produção também documental O Outro Lado da Aids.

 

PEQUENOS PAIS
(Their Brothers´ Keepers: Orphaned by Aids, Canadá, 2005, 55 min)
Direção: Catherine Mullins.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

Filmado durante sete meses, em Chazanga Compound, um bairro de favelas no Lusaka, Zâmbia, este documentário canadense segue as lutas cotidianas de famílias encabeçadas por crianças cujos pais morreram de aids. Ao enfrentar a falta de comida, água, escola e assistência em saúde, Benny, Dorris e Paul experimentam o drama e a esperança que se misturam na luta por trabalho para comprar a refeição para seus irmãos mais novos.

 

POR FAVOR, CONVERSE COM AS CRIANÇAS SOBRE AIDS
(Please Talk to Kids About Aids, Estados Unidos, 2007, 26 min)
Direção: Brian Hennessey
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

Numa conferência internacional sobre aids, duas crianças falam com técnicos, trabalhadores do sexo e pessoas que vivem com HIV e aids. Duas vozes inocentes, fazendo perguntas que só uma criança ousa fazer e, por isso, despertando mais compaixão diante epidemia. O documentário trata da incapacidade humana de fazer com que aids seja compreensível a todas as pessoas.

 

POSITIVAS
(Brasil, 2009, 78 min)
Direção: Susanna Lira.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

O título do documentário sugere de imediato o tema e os personagens em questão. Mas as mulheres soropositivas retratadas pelo filme têm uma peculiaridade no universo dos infectados pelo HIV. Todas adquiriram o vírus dos maridos ou parceiros fixos de longa data e convivem com a doença há pelo menos uma década. Moradoras de várias capitais do país, de Salvador a Porto Alegre, Rosária, Medianeira, Cida, Heli, entre outras, contam o drama da descoberta da doença, o impacto da notícia no círculo familiar, profissional e pessoal, além do esforço natural de sobrevivência com os medicamentos. Alertam, principalmente, quanto ao perigo do uso de drogas pelos parceiros e a dificuldade em adotar o preservativo. Há também relatos de violência doméstica quando o tema é a camisinha. Não por acaso, a maioria dessas personagens tornaram-se ativistas influentes nas comunidades em que vivem.

 

PREGOS NA CABEÇA
(Moçambique, 2004, 32 min)
Direção: Sol de Carvalho.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

A partir de situações reais, o média-metragem moçambicano dramatiza a experiência de operários da construção civil na difícil convivência com a aids. O empregado Fumo (Elliot Alex) trabalha na obra de um prédio para sustentar mulher e filhos quando se descobre fraco e doente. No hospital, submetido a exames, não lhe esclarecem sobre sua real condição e ele, impossibilitado de ler o resultado por ser analfabeto, acredita tratar-se de malária. Sua debilidade aumenta e ele causa acidentes no canteiro, o que leva a revolta de colegas. Ao ser informado pela chefia que é soropositivo, Fumo acaba por ser demitido com falsas justificativas. O status institucional da produção, que é assinada pelo governo do país junto com entidades do setor de construção e ONGs, fica claro quando se discute o desrespeito às leis que amparam trabalhadores na situação de portadores do HIV. Também está em foco a precariedade e corrupção do serviço de saúde pública.

 

PRINCESAS
(Espanha, 2005, 113 min)
Direção: Fernando Leon de Aranoa.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008) e na V Cinema Mostra Aids (2009).

Caye (Candela Peña, de Tudo Sobre Minha Mãe) é uma prostituta de classe média de Madri que esconde da família sua real ocupação. Zulema (Micaela Nevaréz) é uma imigrante dominicana que deixou a mãe e o filho em Santo Domingo para ganhar a vida ilegalmente na Espanha. As duas desenvolvem ao longo da trama uma amizade baseada na cumplicidade e no desejo de realizar seus sonhos. São personalidades distintas: enquanto Zulema é mais realista, Caye é uma sonhadora, que espera ter um trabalho fixo e um marido perfeito. A aids, a violência e o machismo estão presentes nesta trama.

 

PROTESTO CONTRA O MONOPÓLIO
(Pills Profits Protest, EUA, 2003, 60 min)
Direção: Ann T. Rossetti.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006) e na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

O documentário mostra o empenho de militantes pelo mundo em protesto pela falta de medicamentos contra o vírus HIV. A análise crítica engloba a batalha de países pobres e indivíduos marginalizados contra os governos e as indústrias farmacêuticas para ter acesso aos remédios. Há um momento dedicado ao Brasil, que conquistou uma vitória na quebra de patentes de antirretrovirais. O filme também aborda o destino dos 50 bilhões de dólares do Fundo Global para o desenvolvimento de remédios contra a aids.

 

RENT - Os Boêmios
(Rent, EUA, 2005, 135 min)
Direção: Chris Columbus.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006).

Depois de Harry Potter e A Câmara Secreta, o diretor Chris Columbus, do famoso Esqueceram de Mim, volta ao comando de um longa-metragem com o musical Rent. Esta é a primeira vez que a famosa peça da Broadway é adaptada para o cinema. Vencedor de prêmios como o Pulitzer e o Tony Award, o musical de Jonathan Larson é uma versão atualizada da ópera La Boheme, de Giacomo Puccini. Conta a história de um grupo de boêmios no bairro East Village, em Nova York, que lida com problemas envolvendo relacionamentos, drogas e aids.

 

ROCK HUDSON – BELO E ENIGMÁTICO
(Rock Hudson – Dark and Handsome Stranger, Alemanha/França/Finlândia/Áustria, 2010, 95 min)
Direção: Andrew Davies e André Schäffer.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

A dupla de diretores revisita a conturbada vida do astro Rock Hudson e o impacto gerado pela descoberta de que o mito masculino de Hollywood era homossexual e portador do vírus HIV. Como lembra um entrevistado, foi a primeira vez que milhões de pessoas ouviram falar da aids e, principalmente, associada a um símbolo de virilidade do cinema. Sua figura de galã em comédias românticas contribuía para reafirmar o mito, lembram amigos, como o escritor Armistead Maupin e especialistas de cinema, enquanto na piscina de casa ele recebia jovens marginalizados. O filme relata a infância difícil, com o abandono do pai, a chegada à metrópole ainda como Roy Harold Scherer Jr. e avança até a agonia final, quando sua assessora mais próxima precisou alugar um Boeing vazio para transportar Hudson de Paris para os Estados Unidos, porque nenhuma companhia aérea queria tê-lo junto a outros passageiros.

 

RSVP
(RSVP, Canadá 1991, 23 min)
Direção: Laurie Lynd
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

Os dolorosos momentos que se seguem para os mais próximos após a morte de uma vítima de aids são retratados de forma poética. Sid (Daniel MacIvor) ainda se confronta com a perda do companheiro quando liga o rádio e descobre que ele fez um pedido para ouvir uma canção. Le Spectre de la Rose , uma ária da ópera Les Nuits d'Été, de Berlioz, e cantada por Jessie Norman, era o momento musical preferido pelo casal. Sid, então, liga para a irmã do namorado e esta para a mãe, conectando todos na mesma frequência da homenagem.

 

RUAS DA AMARGURA
(Portugal, 2008, 108 min)
Direção: Rui Simões.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Os personagens do documentário são moradores de rua de Lisboa. Sofrem com alcoolismo, vício das drogas e problemas psicológicos. Na intenção de dar voz e dignidade a esses excluídos, o veterano cineasta português Rui Simões não aborda a aids de modo direto, mas não deixa de sugerir o risco a que estão expostos, por exemplo, as travestis brasileiras. Há, nas ruas, também os voluntários, assistentes sociais e técnicos diversos que constroem e mantêm estruturas de apoio, alguns acreditando em dias melhores, outros apenas institucionalizando a ajuda, sem muitas esperanças.

 

SASA!
(Sasa! A film About Women, Violence and HIV/AIDS, Canadá/Uganda/Tanzânia, 2007, 30 min)
Direção: Chanda Chevannes.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

O subtítulo do documentário é “um filme sobre mulheres, violência e HIV/Aids”. Esse três pontos convergem na África Subsariana de uma forma talvez pouco conhecida e divulgada, daí a urgência que traz a palavra “sasa”, “agora” no idioma suaíli. Na abertura, explica-se que as chamadas sessões de aconselhamento, quando maridos e mulheres se encontram com profissionais para resolver problemas conjugais, foram recriadas para o filme. As mulheres daquela região, formada pela Tanzânia e Uganda, representam uma população de 60% de infectados pelo HIV, a maioria pelo próprio marido, já que estes se negam a se proteger com camisinha ou mesmo a fazer o teste para saber se têm ou não o vírus. Ao demonstrarem medo, desconfiança, ou simplesmente não aceitarem ter relações sexuais, elas acabam por sofrer violência física. O drama é relatado eminentemente por duas vítimas soropositivas, mas também são ouvidos homens que justificam seus atos.

 

SEM GARANTIA DE VALIDADE
(No Magic Bullet, Inglaterra, 2007, 58 min)
Direção: Jaime Sylla.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

A aids na Inglaterra, país pouco representado na cinematografia sobre o assunto. Profissionais de saúde, educadores, acadêmicos, especialistas da medicina e pessoas que vivem com HIV oferecem um parâmetro da situação da doença e debatem o aumento da infecção entre gays, o efeito da internet na prática sexual e a eficiência da educação sexual no contexto inglês. O filme acompanha ainda um jovem que fará o teste de HIV pela primeira vez. Sexo seguro e o significado de viver na dependência do coquetel de drogas também fazem parte da trama.

 

SENSAÇÕES - A HISTÓRIA DA AIDS NA ARGENTINA
(Sensaciones - Historia del Sida en la Argentina, Argentina, 2006, 80 min)
Direção: Hernán Aguilar.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

Em um formato que une cenas ficcionais e depoimentos de especialistas, autoridades do governo e soropositivos, o filme acompanha os avanços conquistados num lento e penoso processo na Argentina. Conta, entre outras passagens, a luta de um jornalista infectado para montar um hospital dedicado apenas aos portadores de HIV, que hoje leva seu nome, e luta pela lei federal que garante assistência aos doentes.

 

SEXO POSITIVO
(Sex Positive, Estados Unidos – 2008 - 76 min)
Direção: Daryl Wein.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009) e na VII Cinema Mostra Aids (2011).

A trajetória de Richard Berkowitz, ativista gay revolucionário nos anos 1980, é o tema deste documentário. Profissional do sexo, Berkowitz emergiu do epicentro da epidemia como um líder da comunidade gay norte-americana, divulgando a importância do sexo seguro. Ele atua junto com dois outros personagens fundamentais na história: Joseph Sonnabend, um virologista, e o músico Michael Callen. Juntos, mostram que as práticas sexuais mais seguras eram fundamentais para que não se desistisse do sexo completamente.

 

SEXPRESS YOURSELF
(EUA, 2006, 60 min)
Direção: Mauro Dahmer.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

O documentário reúne três adolescentes - um brasileiro, um mexicano e um jamaicano - e suas opiniões sobre sexo, drogas, rock, machismo, homofobia, hipocrisia e prevenção do vírus HIV. Participam da produção o escritor Eduardo Bueno, os jornalistas André Fischer e Madela Bada, o coreógrafo jamaicano Conroy Wilson e o fotógrafo mexicano Gonzalo Morales. O registro foi produzido pela MTV brasileira em parceria com a MTV latino-americana e sua versão baseada no Caribe, a Tempo, com apoio da Unicef e da Fundação Staying Alive.

 

SIMPLES CORAGEM
(Simple Courage, Havai, 1992, 55 min)
Direção: Stephanie J. Castillo.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

O filme traça um paralelo da epidemia de aids com a hanseníase, documentando o tratamento de vítimas de hanseníase no Havaí no final do século 19 e início do século 20, quando mais de oito mil portadores, a maior parte nativos, foram segregados em uma península isolada e praticamente abandonados. Um homem, contudo, em um ato simples e corajoso, tomou a questão para si e trouxe conforto a essa gente desamparada. Seu nome é Pai Damien, um missionário Católico da Bélgica, que passou dezesseis anos acolhendo e confortando os "intocáveis" até que ele mesmo sucumbisse à doença.

 

STEPHEN FRY E A AIDS
(HIV & Me, Inglaterra, 2007,120 min)
Direção: Ross Wilson.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009) e na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Depois de perder muitos amigos para a aids a partir dos anos 1980, o ator Stephen Fry, roteirista desse documentário, faz uma viagem pessoal pela Grã-Bretanha e tenta entender o porquê do aumento das infecções de aids. O filme concentra-se em universos distintos, de gays, héteros e vários outros grupos, inclusive adolescentes. Há depoimentos fortes, como o de uma mulher que diz ter dormido com vários homens em uma semana e ainda assim afirma não ver nenhuma razão para proteger-se.

 

TERRA DE SONHOS
(In América, EUA, 2004, 103 min)
Direção: Jim Sheridan.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

Drama de traços autobiográficos do mesmo diretor de Em Nome do Pai, escrito em parceria com suas duas filhas. O irlandês Sheridan debruça-se sobre sua tumultuada chegada aos Estados Unidos no início dos anos 80. Apesar de não fixar a data, notam-se referências da década, como o fanatismo da criançada pelo monstrinho do filme E.T. (Steven Spielberg, 1982). Também não é explícita a doença que acomete o personagem de Djimon Hounsou. Artista plástico, ele tem uma amizade incomum com as duas filhas (papel das adoráveis irmãs Sarah e Emma Bolger) de um casal de imigrantes irlandeses (Paddy Considine e Samantha Morton). Seu comportamento de absoluta reclusão e o triste desenrolar de seu quadro clínico sinalizam em direção a aids, vista à época como uma brutal fatalidade.

 

THE DEAD BOYS CLUB
(The Dead Boy's Club, EUA, 1993, 25 min)
Direção: Mark Christopher.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

Um toque de fantasia para quebrar a melancolia de um drama já vivido por muitos. Toby (Nat De Wolf) é o garoto do interior americano que vem para Manhattan encontrar o primo Packard (Erik Van Der Wilden). Este acaba de perder o companheiro, morto por complicações decorrentes da aids. Tímido e atônito com a liberalidade da comunidade gay a sua volta, Toby muda quando ganha de Packard um par de sapatos que pertenceu ao seu amante. Ao calçá-los, o garoto se transforma: melhora sua autoestima e confiança e se transporta aos loucos anos 1970 pré-era aids.

 

TRAMAS DE ESPERANÇA
(Tapestries of Hope, Estados Unidos, 2009, 55 min)
Direção: Michealene Cristini Risley.

Pelas chocantes revelações contidas neste documentário, o programa é por certo um dos mais contundentes da seleção do 8º Cinema Mostra Aids. Em 2009, a diretora americana Michealene Cristini Risley viajou ao Zimbábue para registrar o crescente número de estupros a garotas virgens. O motivo é a crença dos homens de que o sangue dessas meninas africanas ainda intocadas pode curar o portador de HIV. Por isso também, em alguns casos, chegam a cortar as vítimas com faca para obter o sangue. A abordagem da diretora, que chegou a ser presa e deportada durante as filmagens, é feita a partir do trabalho da ativista pelos direitos humanos Betty Makoni e sua organização de assistência Girl Child Network, a GCN. Muitas vezes banidas de casa, ou mesmo fugidas, as jovens são acolhidas na sede da entidade e ali recebem cuidados para se recuperarem do trauma. Risley ouve os relatos das adolescentes, em sua maioria, mas há situações mesmo de uma criança de 3 anos que sofreu violência sexual e teve seus órgãos comprometidos. Como contraponto, um vídeo de 2005 mostra o depoimento de um agressor soropositivo e sua justificativa pelos atos.

 

TRANSIT
(Inglaterra, 2005, 90 min)
Direção: Niall MacCormick.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006) e na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

O primeiro longa-metragem produzido para a TV pela MTV estreou na telinha em 1º de dezembro de 2005, Dia Mundial da Luta contra a aids. O filme faz parte de uma campanha de prevenção entre os jovens que tem o apoio da Fundação Staying Alive. Ambientada em quatro países, a trama acompanha o drama e as aventuras de protagonistas que vivem na Cidade do México, Los Angeles, São Petersburgo (Rússia) e Nairóbi (Quênia). Entre os personagens estão a americana Asha, desconfiada da fidelidade do namorado, e o africano Matthew, mergulhado na cultura hip-hop de seu país.

 

TRANSLATINA
(Peru, 2009, 93 min)
Direção: Felipe Degregori.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

A aids é somente mais um problema a ser enfrentado pelas transexuais e travestis dos países latinos de língua espanhola, principais personagens do filme. Produzido a partir do Peru, cenário principal das entrevistas e discussões, contempla ainda Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Uruguai, e mesmo o Brasil, representado pelo “portunhol” da personagem Liza Minelli. Assim como ela, vários entrevistados militam pela causa destes excluídos sociais em organizações não governamentais e associações de ajuda. Boa parte dos depoentes são soropositivos e relatam suas experiências pessoais, familiares e de descoberta da doença. Mas para além do HIV, enfrentam ainda a violência tanto por parte de clientes como da polícia; o preconceito em círculos sociais, como a escola; e a dificuldade de conseguir um emprego convencional.

 

TRÊS IRMÃOS DE SANGUE
(EUA, 2005, 104 min)
Direção: Angela Reiniger.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

Os três irmãos de sangue a que se refere o título do documentário são os mineiros Betinho, Henfil e Chico Mário. Hemofílicos, foram infectados pelo vírus HIV por meio da transfusão de sangue e morreram de complicações da aids. O trio tornou-se um símbolo da luta contra a doença no Brasil e o fato do país hoje ser visto como referência mundial no combate à epidemia tem muito a ver com o pioneirismo de ativistas como eles.

 

TUDO CONTRA LEO
(Tout Contre Léo, EUA, 2004, 97 min)
Direção: Christophe Honoré.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

O cenário é uma pequena cidade no litoral da Bretanha, região onde o cineasta nasceu e lar perfeito para um casal e seus quatro filhos. Leo (Pierre Mignard) é o mais velho. Aos 21 anos e gay, anuncia à mesa que é soropositivo. Abalada, a família se une para apoiar Leo. O caçula de 12 anos Marcel (o ótimo Yannis Lespert) é poupado da notícia pelos pais e irmãos, mas escuta tudo atrás da porta. A partir daí, a trama se desenrola por meio dos olhos do garoto, não só em relação às possíveis consequências dramáticas da doença, mas também às experiências típicas da idade de um pré-adolescente. A boa trilha sonora inclui o cantor Lloyd Cole e músicas de Alex Beaupain, parceiro habitual de Honoré.

 

TUDO SOBRE MINHA MÃE
(Todo Sobre Mi Madre, Espanha / França, 1999, 101 min)
Direção: Pedro Almodóvar.
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004) e na III Cinema Mostra Aids (2006).

Em Madri, Manuela (Cecilia Roth) perde o filho precocemente e parte para Barcelona a fim de encontrar o pai do garoto vinte anos depois, agora um travesti chamado Lola. A sua viagem é também um rito de passagem para um novo e desconhecido mundo, do qual faz parte, por exemplo, Irmã Rosa (Penélope Cruz), uma freira grávida e portadora do vírus HIV. Com seu estilo irreverente, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar confronta o espectador com o tema da aids sem fazer da doença o foco único seu cinema.

 

UM AMOR QUASE PERFEITO
(Le Fate Ignoranti, França / Itália, 2001, 105 min)
Direção: Ferzan Ozpetek
Exibido na II Cinema Mostra Aids (2004).

A médica Antonia (Margherita Buy) envolve-se com um soropositivo em estado terminal. Torna-se confidente do rapaz, abandonado pelo amante logo depois do aparecimento da doença. Antonia também perdeu o marido e descobriu que ele a traia com um homem. Diretor turco radicado na Itália, Ferzan Ozpetek é homossexual assumido e sabe muito bem como tratar esse universo no cenário de direita do governo de Silvio Berlusconi. Um filme sobre tolerância e compreensão.

 

UM BEIJO PARA GABRIELA
(Brasil, 2012, 28 min)
Direção: Laura Murray.

A ex-prostituta e socióloga Gabriela Leite ganhou repercussão nacional quando em 2006 criou a grife de roupas Daspu. Mas naquele momento já contava longo engajamento na ONG Davida, fundada por ela e voltada a luta pelo direito das prostitutas e aos problemas relativos ao meio, prevenção a aids incluso. Gabriela ampliou sua atuação quando três anos depois lançou o livro autobiográfico Filha, Mãe, Avó e Puta – A História de uma Mulher que Decidiu Ser Prostituta. Quis mais. No ano seguinte, candidatou-se a deputada federal pelo Partido Verde, trajetória que este curta-metragem documental acompanha. No seu programa, claro, constava a prioridade no combate ao vírus HIV, assim como a defesa do aborto e da união civil entre homossexuais. No filme registra-se suas expectativas, o encontro com partidários como Fernando Gabeira, uma situação delicada de conversa para um acordo político com os evangélicos, que a câmera não testemunha, seu cotidiano em casa com o marido, entre outros episódios. Gabriela não obteve número suficiente de votos para a eleição, e segue combativa, como se pode verificar no blog de mesmo título do filme.

 

UM GENOCÍDIO SILENCIOSO - UM BREVE OLHAR NO HIV/AIDS
(A Silent Genocide – A Brief Insight into HIV/AIDS, Estados Unidos, 2009, 10 min)
Direção: Tantra Zawadi e Oliver Covrett.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Poeta, escritora e performer americana, Tantra Zawadi é a anfitriã deste filme sobre como a aids avança sobre a população de ascendência afro na região de Nova York. Ao mesmo tempo em que aproveita um evento público para entrevistar anônimos, ela conversa com especialistas sobre o tema, a exemplo da fundadora do Girl Child Network Worldwide, Betty Makoni. O curta apresenta alguns dados, como o fato dos condados de Nassau e Sufolk, em Long Island, reunirem o maior número de infectados entre todos os 26 estados americanos. Para contrabalançar as duras revelações, o filme apresenta poesias de jovens autores.

 

UM LUGAR PARA BEIJAR
(São Paulo, 2008, 30 min)
Direção: Neide Duarte.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

Um jovem frequentador de uma boate conta que foi ali para beijar outros homens, mas não se sente à vontade para transar com eles. Uma travesti que trabalha como profissional do sexo revela que não beija os clientes na boca, só o marido. Depoimentos como esses dão o tom do documentário Um Lugar Para Beijar, que mostra os caminhos da sexualidade masculina, os medos e preconceitos, a diversidade do mundo gay na periferia de uma metrópole, os encontros e desencontros de homens que fazem sexo com outros homens, a ameaça das doenças sexualmente transmissíveis. Dirigido pela experiente jornalista Neide Duarte, com o aval do Programa Municipal de DST/Aids – Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, mostra os mistérios e surpresas de bares, festas, parques e outros cenários onde vivem estas pessoas.

 

UMA CASA NO FIM DO MUNDO
(A Home at the End of the World, EUA, 2004, 97 min)
Direção: Michael Mayer.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

O roteiro é do escritor Michael Cunningham (As Horas), baseado em seu livro homônimo de 1990. O filme mostra a vida do jovem Bobby Morrow (Farrell), que na adolescência testemunhou a morte de seus pais e do irmão mais velho em momentos diferentes e foi criado pela família do melhor amigo, Jonathan (Roberts). Quando este, desprendido e gay, decide mudar-se da tranquila Cleveland para Nova York, Bobby o segue e a dupla logo torna-se um trio com a experiente e nada convencional Clare (Robin Wright Penn). Morando juntos, eles passam a dividir problemas, visões diferentes da vida, e eventualmente a cama, num período de transformação e novos desafios trazidos pelos anos 1980.

 

UMA JORNADA EM FAMÍLIA
(Out in India: A Family´s Journey, Estados Unidos, 2008, 71 min)
Direção: Tom Keegam.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

David Gere é um intelectual que dedicou parte de sua vida a estudar a relação da aids com as artes. É casado com Peter Carley, que durante muitos anos esteve à frente de protestos e ações políticas de luta contra a doença nos Estados Unidos. Ambos perderam parceiros no auge da epidemia. Juntamente com seus dois filhos adotivos, deixam casa e emprego em Los Angeles para uma jornada de alguns meses na Índia, com a missão de organizar artistas para lutar contra a aids.

 

UMA SEMANA
(One Week, EUA, 2001, 97 min)
Direção: Carl Seaton.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

Filme independente americano com elenco negro reafirma a necessidade de falar diretamente à comunidade sobre prevenção e a possível convivência com a aids. Os atores principais estão envolvidos também na produção e no roteiro. Num bairro de Chicago, Varon (Kenny Young) e Kyia (Saadiqa Muhammad) estão a uma semana do casamento quando ele fica sabendo que seu nome aparece numa lista de prováveis infectados pelo vírus HIV. Seu melhor amigo recebe a mesma notícia de uma agente de saúde e convence Varon a procurar pela garota que provavelmente os infectou. Enquanto aguarda pelo resultado final do exame de HIV, o noivo vive o dilema de contar ou não o drama à futura esposa.

 

UNDER THE SKIN
(Brasil, 2010, cor, 7 min)
Direção: Silvia Lourenço e Sabrina Greve.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010) e na VII Cinema Mostra Aids (2011).

O curta-metragem integra o projeto de doze episódios Fucking Different São Paulo, co-produção Brasil e Alemanha, selecionado para a mostra paralela Panorama do Festival de Berlim 2010. Atriz premiada, Silvia Lourenço (Quanto Dura o Amor?) uniu-se a outra jovem intérprete reconhecida, Sabrina Greve, para registrar o depoimento de um rapaz que descobre ser possível conviver bem com o vírus HIV. Miguel Dias conta como se reconheceu homossexual ainda adolescente; a primeira transa aos 19 anos; e a dificuldade de se revelar aos pais. Produção do alemão Kristian Petersen, a iniciativa com diversos diretores nasceu de oficinas no Festival Mix Brasil.

 

UNIDOS PELO SANGUE
(3 Needles, Canadá, 2005, 127 min)
Direção: Thom Fitzgerald.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

O filme mostra como a transmissão do HIV mantém sua evolução sob a sombra da ignorância, pobreza, preconceito e herança cultural a partir de três histórias de países diferentes. Shawn Ashmore interpreta um ator pornô canadense soropositivo, que para continuar na carreira falsifica seus exames de HIV. Na China, uma suposta agente do governo (Lucy Liu) colhe sangue de moradores de vilarejos pobres em troca de algum dinheiro e vende a coleta no mercado negro. Quando uma família fica doente, sua ação é investigada. Por fim, três freiras cuidam de infectados pelo vírus na África. O foco principal é a personagem de Chlöe Sevigny e o sacrifício de sua castidade para garantir as provisões necessárias para os doentes.

 

VITO
(Vito, Estados Unidos, 2011, 93 min)
Direção: Jeffrey Schwarz.

A cena nova-iorquina dos primeiros passos na luta e conquista de visibilidade dos homossexuais não pode ser relembrada sem o nome de Vito Russo (1946-1990). Militante de primeira hora, quando os gays percorriam o underground da metrópole em busca de parceiros, Russo testemunhou momentos chaves dessa história, a exemplo da invasão do reduto Stonewall, e ergueu a voz para defender a comunidade. Para os engajados, sua presença se dá nos comícios, nas passeatas, paradas festivas e no grupo Act Up, de combate a aids. Quem acompanha cinema, no entanto, saberá também que ele organizou uma espécie de cineclube temático nos anos 70 e 80, onde eram exibidos filmes clássicos e daquele momento contendo insinuações ou temas diretos ligados a homossexualidade. O farto material, pesquisado em instituições como o Museu de Arte
Moderna (MoMA), gerou o livro The Celulloid Closet, a princípio recusado por muitas editoras, mas finalmente publicado em 1981. Catorze anos depois o trabalho transformou-se num ótimo documentário por Rob Epstein e Jeffrey Friedman, exibido aqui como O Celulóide Secreto ou O Outro Lado de Hollywood. Tais experiências são lembradas pelo próprio Vito em entrevista de época e por depoimentos de ativistas, amigos e familiares. Nesse contexto está o duro confronto com o surgimento da aids, que vitimou o parceiro de Vito, Jeffrey, e depois ele mesmo.

 

XPRESS
(Brasil, 2007, 45 min)
Direção: Mauro Dahmer.
Exibido da IV Cinema Mostra Aids (2008).

O diretor Mauro Dahmer faz um desdobramento de seu documentário anterior, Sexpress Yourself. Mantêm base em três países (Brasil, Jamaica e México), onde a produção colhe depoimentos de jovens sobre temas como violência, drogas, prevenção sexual e, neste filme, também política e desigualdade. O rapper MV Bill assume papel de destaque e conduz o espectador a uma visita às favelas cariocas Cidade de Deus e Complexo do Alemão.

 

XPRESS 08
(Brasil, 2008, 44 min)
Direção: Mauro Dahmer.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009).

Terceiro documentário da série Xpress, produzido pela MTV (América Latina) em parceria com o Unicef e a campanha Staying Alive. Rodado em Recife, Santo Domingo, Bogotá e Nova York , abordam temas ligados à masculinidade, juventude, sexualidade e prevenção do HIV. Machismo, pornografia, violência, drogas e preconceitos são alguns dos assuntos apresentados por jovens, ativistas e artistas. Depois de visitar, em versões anteriores, cidades como Kingston, São Paulo, México, Rio de Janeiro, Juarez, e receber a medalha de prata no World Media Festival de Hamburgo, o programa XPress 8 conta com a participação de membros do movimento Mangue Beat e artistas latinos e caribenhos.

 

WA N'WINA
(África do Sul, 2001, 52 min)
Direção: Dumisani Phakathi.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006).

O jovem diretor sul-africano retorna a seu bairro natal, em Soweto, para colher depoimentos de amigos de infância. O objetivo: saber como a aids afetou o cotidiano deles. As conversas giram em torno de relacionamentos, tradições, tabus, amor e sexo. Entre os colegas estão Phumla e Timothy, que expõem suas emoções ao relatar a dureza das ruas e as escolhas que foram forçados a fazer. Com a câmera no ombro e incisivo nas perguntas, Phakathi faz um mergulho em suas raízes para revelar o abismo existente entre a realidade e as campanhas de prevenção contra a doença em seu país.

 

YESTERDAY
(África do Sul, 2004, 96 min)
Direção: Darrell Roodt.
Exibido na III Cinema Mostra Aids (2006) e na Cinema Mostra Aids itinerante em Campina Grande, João Pessoa e Recife (2007).

Além da curiosidade de ser o primeiro filme na língua Zulu (e indicado para representar a África do Sul no Oscar), esse drama traz uma rara visão do epicentro da epidemia da aids no mundo. Numa remota aldeia africana, Yesterday (personagem de Lelei Khumalo) é diagnosticada com o vírus HIV. Apesar da doença não ser mais uma surpresa entre seu povo, ela é vítima da ignorância. Enfrenta duras reações tanto por parte do marido (Kenneth Kambula), que a infectou, como por parte dos moradores do vilarejo. Eles acreditam que a jovem adquiriu o vírus em alguma situação pecaminosa. Rechaçada, Yesterday sonha em ficar saudável.

 

IX Cinema Mostra Aids
de 26 a 28 de novembro de 2013 no Cine Olido / de 27 de novembro a 1º de dezembro no Centro Cultural São Paulo