IX Cinema Mostra Aids
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Apresentação

A nona edição do Cinema Mostra Aids, iniciativa do Grupo Pela Vidda/SP, procura responder a complexa e sempre atual questão da aids através do olhar diverso de filmes em longa, média e curta-metragens. E o faz contemplando o passado para alertar o presente, numa perspectiva determinada não apenas por títulos das duas últimas décadas, mas principalmente por produções recentes que se voltam a tempos bem mais sombrios. É evidente a intenção de nos fazer lembrar a agonia dos anos 80, com sua ignorância do mal que surgia e com ele os preconceitos, assim como a solidariedade e o engajamento no combate à epidemia. São nas vertentes de memória, conhecimento, prevenção e luta contra o preconceito que se baseiam muitos dos filmes exibidos.

Nesse sentido é simbólico o título do documentário americano Ainda Por Aí, de 2011, uma compilação de quinze episódios que pinçam casos em São Francisco de pacientes infectados no auge da disseminação.

Esse formato de várias histórias alcança o mesmo pretexto em 7 Bilhões de Outros – Questões de Desenvolvimento, uma produção da Fundação The Good Planet, do fotógrafo e ambientalista francês Yann Arthus-Bertrand, baseada em seis mil entrevistas em 84 países. As revelações dizem respeito não só a práticas sexuais, mas também religiosas e de credos anacrônicos, nem sempre levadas em conta na disseminação da aids.

Vem envolvido pelo desconhecimento, aliás, uma das novidades da edição. A China e seu contexto no mapa da doença até aqui inédito aos espectadores é exposta em três documentários, dois assinados por Xiaogang Wei, um ator e diretor que também é militante da causa gay e do combate à doença. Ele organizou, por exemplo, uma caminhada para chamar a atenção das autoridades a um tema que ainda é tabu num país de 800 mil infectados, numa estimativa média de 2009. A dificuldade das pessoas com HIV em se expor e discutir a aids é o foco justamente do filme de Zhao Liang, que apelou ao anonimato das redes sociais para buscar personagens e seus depoimentos em Juntos. Alguns deles se tornaram extras da produção e sobrevivem graças aos medicamentos antirretrovirais, nem sempre fáceis de se obter nos programas ainda insípidos do governo.

O cenário de descaso até então recente das autoridades chinesas pode ser surpreendente aos nossos olhos mas há muito é conhecido no que se refere ao ocidente. Nos anos 80 e 90, entidades formadas por voluntários lutaram pelo reconhecimento junto ao Estado de que a aids era uma epidemia a ser enfrentada com políticas públicas. Essas vieram, ainda que atrasadas, e tornaram movimentos como o Act Up importantes celeiros de transformação, conforme revisa o docu-mentário Como Sobreviver a Uma Praga, realizado em 2012. Com tais iniciativas e a evolução no tratamento, muitos soropositivos levam hoje uma vida normal. Não por acaso, o universo da convivência possível com a aids é tema de muitos filmes selecionados, quase todos com a definição de “positivo” em seus títulos como sinônimo de bem-estar.

O que não significa que se possa baixar a guarda. O ponto da prevenção, seja no sexo seja no uso de drogas, é constantemente reafirmado e está ligado também ao trabalho de voluntários militantes, fundamentais em realidades chocantes como da Indonésia, apresentada no curta-metragem Por Uma Dose Mais Limpa. A entrega desses personagens mereceu um retrato plural e por vezes surpreendente em Heróis do HIV, outra série programada, com casos em vários países. Mas não é necessário rodar o mundo para encontrar imensos desafios, como apontam os curtas-metragens Codinome Beija-Flor, produção gaúcha, e Aids – Ela Não Perde uma Balada!, iniciativa da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. São abordagens sérias para um tema que não precisa ser ainda mais estigmatizado pelo trato solene. A tática do humor pode ter ação tão ou mais eficaz, como comprovam os irreve-rentes Uma Aproximação por Trás e A Festa, curiosamente ambos curtas israelenses.

IX Cinema Mostra Aids
de 26 a 28 de novembro de 2013 no Cine Olido / de 27 de novembro a 1º de dezembro no Centro Cultural São Paulo